A Justiça de Chiba condenou uma empresa de metalurgia a pagar cerca de 9,6 milhões de ienes a uma estagiária técnica chinesa que perdeu o dedo indicador da mão esquerda em um acidente com prensa. A decisão, de setembro, reconheceu que a empregadora falhou em garantir a segurança da trabalhadora, que não recebeu treinamento adequado em chinês sobre o equipamento perigoso.
O caso chamou atenção por um argumento da defesa: a empresa alegou que a mulher teria se machucado de propósito para obter deficiência e permanecer no Japão. O tribunal rejeitou essa tese e apontou que faltaram medidas de prevenção e orientação de segurança em um idioma que ela entendesse.
Para brasileiros que vivem no Japão, o episódio acende um alerta. Dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar mostram que a taxa de acidentes de trabalho entre estrangeiros é maior que a média geral. Entre estagiários técnicos e trabalhadores com visto de habilidades específicas, o índice chega a 4,1 por mil pessoas, contra 2,3 da média nacional.
A barreira do idioma aparece como um dos principais fatores. Sem entender instruções de segurança, muitos trabalhadores estrangeiros ficam expostos a riscos em fábricas, obras e outros setores. Especialistas defendem que empresas ofereçam treinamento na língua materna do funcionário e verifiquem se ele realmente compreendeu os procedimentos.
A empresa condenada recorreu ao Tribunal Superior de Tóquio. O caso segue em disputa, mas já reforça a importância de os estrangeiros conhecerem seus direitos e buscarem apoio em caso de acidente.
Fonte: 朝日新聞 — resumo original em português.
Imagem de destaque: reprodução/朝日新聞.
