Nova lei em Shibuya combate lixo nas ruas com multas para quem suja e para lojas sem lixeira.

Shibuya combate lixo nas ruas com novas multas e obrigação de lixeiras em lojas

Medidas aprovadas pela prefeitura local buscam conter o aumento de resíduos atribuído ao crescimento do turismo pós-pandemia

A prefeitura do bairro de Shibuya, um dos pontos turísticos mais movimentados de Tóquio, aprovou uma reforma na legislação local para enfrentar de forma mais dura o problema do lixo nas ruas. A partir de junho de 2026, pessoas flagradas jogando lixo no chão poderão receber uma multa de 2.000 ienes (cerca de 13 dólares). Paralelamente, uma nova regra que entra em vigor em abril do mesmo ano obrigará estabelecimentos como conveniências e cafés a instalarem lixeiras para o público, sob pena de multa de 50.000 ienes em caso de descumprimento.

As novas regras foram estabelecidas por meio de uma emenda à “Ordenança para Criar uma Shibuya Limpa Juntos”, aprovada pela assembleia local. A fiscalização contra o descarte irregular de lixo será realizada 24 horas por dia por funcionários designados e valerá para toda a extensão do bairro de Shibuya, que inclui áreas como Ebisu e Yoyogi. Segundo a prefeitura, o pagamento das multas poderá ser feito em dinheiro ou por meio de sistemas de dinheiro eletrônico, o que sugere a cobrança no local da infração.

A obrigação de instalar lixeiras será direcionada especificamente a lojas que vendem alimentos e bebidas para viagem, como conveniências, cafés e quiosques de fast-food, nas áreas movimentadas ao redor das estações de Shibuya, Harajuku e Ebisu. A regra segue a mesma lógica já aplicada a máquinas de venda automática, que precisam ter recipientes para recicláveis. Estabelecimentos que se recusarem a instalar as lixeiras após notificação poderão ter seus nomes divulgados publicamente antes da aplicação da multa.

A decisão tem como pano de fundo um aumento significativo no lixo nas ruas após o fim das restrições de viagem da pandemia de COVID-19, com a retomada do fluxo massivo de turistas, incluindo muitos estrangeiros. Dados da própria prefeitura indicam que aproximadamente 75% do lixo descartado irregularmente nas ruas de Shibuya é composto por embalagens de comida e recipientes de bebidas de estabelecimentos que vendem produtos para viagem. O prefeito Ken Hasebe afirmou que campanhas de conscientização se mostraram insuficientes, tornando necessárias medidas mais rigorosas.

A medida, no entanto, gera controvérsia entre os comerciantes. Muitos alegam que a obrigação transfere para o setor privado um problema que foi agravado pela decisão histórica da administração pública de remover lixeiras das ruas por questões de segurança, principalmente após o ataque com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995. Com a escassez de lixeiras públicas, os estabelecimentos comerciais passaram a receber lixo de toda a cidade, enfrentando custos elevados de manejo e limpeza, o que os levou, em muitos casos, a remover suas próprias lixeiras externas. Agora, são obrigados a recolocá-las.

Especialistas e comerciantes também questionam a eficácia prática das multas. Para alguns turistas internacionais, o valor de 2.000 ienes pode não ser um grande dissuasor devido ao câmbio favorável de suas moedas. Além disso, há o receio de que a simples instalação de lixeiras, sem uma gestão adequada, possa atrair mais lixo de origem diversa, criando um problema de manejo para os lojistas, que também poderão ser penalizados se as lixeiras não forem mantidas em condições adequadas.

Apesar das polêmicas, a prefeitura de Shibuya defende a medida como necessária para preservar a limpeza e a imagem do bairro. A expectativa é que, ao reduzir as desculpas para o descarte irregular e impor consequências financeiras, as novas regras ajudem a reeducar tanto residentes quanto visitantes, incentivando que cada um seja responsável pelo lixo que gera.

Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *