Uniqlo aumenta salário inicial no Japão para 370 mil ienes em estratégia competitiva
Segundo aumento anual consecutivo visa atrair talentos em um mercado de trabalho aquecido e alinhar remunerações a padrões globais
A Fast Retailing Co., empresa controladora da rede de vestuário Uniqlo, anunciou um novo aumento no salário inicial oferecido a novos funcionários no Japão. A partir da próxima contratação de graduados na primavera, a remuneração de partida para candidatos a cargos de gestão, que muitas vezes envolvem transferências internacionais, passará de 330.000 para 370.000 ienes mensais. Este é o segundo aumento consecutivo realizado pela empresa, em uma clara estratégia para fortalecer sua competitividade na guerra por talentos.
O aumento de 40.000 ienes beneficiará aproximadamente 480 novos graduados que ingressam em programas de trainee para futuros gestores das marcas Uniqlo, GU, PLST e Link Theory. Para esses profissionais, a renda anual total, incluindo bônus, deve atingir cerca de 5,9 milhões de ienes, um crescimento de 12% em relação ao patamar anterior. A empresa também revisou os salários para funções que não exigem realocação, que passarão de 255.000 para 280.000 ienes. A medida faz parte de uma política de investimento em pessoas que a companhia vem intensificando, visando recompensar funcionários com alto potencial e alinhar seus padrões remuneratórios aos de concorrentes globais.
O movimento da Fast Retailing ocorre em um contexto nacional de pressão por melhores salários. Nos últimos anos, a Confederação Japonesa de Sindicatos (Rengo) tem defendido aumentos salariais superiores a 5% nas negociações anuais da primavera, com a média de acordos fechados em 2025 atingindo 5,25%, o maior patamar em 34 anos. Muitas empresas, especialmente em setores com escassez de mão de obra, como varejo e finanças, têm elevado suas ofertas iniciais para atrair jovens talentos. A própria Uniqlo já havia realizado um significativo reajuste salarial para sua força de trabalho japonesa no passado recente, elevando em até 40% a remuneração de alguns cargos.
Analistas apontam que, embora os aumentos salariais nominais sejam expressivos, o poder de compra dos trabalhadores japoneses ainda enfrenta desafios. Os salários reais, que descontam o efeito da inflação, registraram queda por vários meses consecutivos, já que o ritmo de alta dos preços ao consumidor, impulsionado por fatores como custos de energia e alimentos, tem superado o crescimento da remuneração. A decisão da Uniqlo reflete, portanto, não apenas uma estratégia interna de atração de talentos, mas também uma adaptação a um ambiente econômico onde a valorização do trabalho se tornou uma prioridade tanto para o governo quanto para o setor privado.
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