Daiwa Securities retoma expansão agressiva de M&A em meio a boom no Japão
Empresa eleva meta de receita para 100 bilhões de ienes até 2031 e intensifica contratações internacionais
A Daiwa Securities Group, a segunda maior corretora do Japão, está retomando uma expansão agressiva de seu negócio de fusões e aquisições (M&A) para capitalizar um boom de transações em seu mercado doméstico e elevar seu status no exterior. A estratégia inclui a retomada da contratação de consultores especializados no exterior e o reforço de uma equipe dedicada a negócios cross-border.
O presidente-executivo da empresa, Akihiko Ogino, afirmou que a Daiwa está considerando aumentar sua meta de receita para o negócio de consultoria em M&A para 100 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 635 milhões) até o ano fiscal que termina em março de 2031. Esse objetivo supera a meta anterior de 70 bilhões de ienes e ocorre em um momento em que o valor total das transações de fusões e aquisições envolvendo empresas japonesas se aproxima de US$ 350 bilhões em 2025, um nível recorde para o país.
O movimento representa uma mudança significativa na postura cautelosa que a empresa adotou há seis meses, quando interrompeu temporariamente as contratações devido a incertezas geopolíticas. Desde então, um salto no volume de transações no Japão gerou um forte crescimento nos lucros relacionados a M&A para a Daiwa. Ogino descreveu o mercado atual como “verdadeiramente vibrante”, onde “praticamente não há um único dia sem algum tipo de ação corporativa”.
Para sustentar essa ambição, a Daiwa permanece no caminho de aumentar o número de seus banqueiros de M&A em todo o mundo dos atuais 640 para 900 até março de 2031. Em abril, a empresa estabeleceu uma equipe dedicada em Tóquio para coordenar suas operações internacionais, que já conta com seis membros. O plano é posicionar a firma entre os cinco maiores consultores do mundo em transações de médio porte, aquelas avaliadas em até US$ 500 milhões.
Este impulso expansionista da Daiwa reflete uma tendência mais ampla no setor financeiro japonês. A recente saída do país de um longo período de deflação e as tão aguardadas reformas de governança corporativa reacenderam o interesse de investidores globais. Isso forçou as empresas japonesas a buscarem melhores retornos sobre seus ativos, vendendo unidades não essenciais ou perseguindo aquisições no exterior para impulsionar o crescimento.
Com as aquisições hostis não sendo mais um tabu e o papel crescente de investidores de private equity e ativistas, a demanda por consultoria financeira especializada disparou. Essa intensa atividade transformou o Japão em um campo de batalha por talentos, com várias instituições financeiras globais, como Citigroup, Goldman Sachs, Jefferies Financial e UBS, também expandindo suas equipes de advisory no país.
Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.






