Em agosto de 2024, junta militar perdia território rapidamente enquanto crise se aprofundava.

Junta militar de Myanmar perde terreno em meio a ofensiva rebelde e crise humanitária

Ofensiva coordenada ameaça Mandalay enquanto regime intensifica ataques contra civis

Em agosto de 2024, a junta militar que governa Myanmar enfrentava uma das maiores pressões desde o golpe de 2021, perdendo território de forma acelerada para uma ofensiva rebelde que ameaçava alcançar Mandalay, a segunda maior cidade do país. Enquanto forças de oposição avançavam, a resposta do regime se caracterizou por uma intensificação de ataques aéreos e terrestres contra populações civis, aprofundando uma crise humanitária de proporções catastróficas.

Dados coletados por organizações de direitos humanos indicam que somente naquele mês, as forças da junta foram responsáveis pela morte de 88 civis, incluindo 12 crianças. O ataque mais letal ocorreu na região de Sagaing, onde tropas incendiaram mais de cem casas e executaram sumariamente quatro homens. Testemunhas relataram que três dos capturados foram torturados antes de terem suas gargantas cortadas. Estes atos fazem parte de um padrão sistemático de violência que inclui assassinatos extrajudiciais, detenções arbitrárias e violência sexual, configurando crimes contra a humanidade.

Ataques aéreos indiscriminados e crise econômica paralisante

A aviação da junta realizou bombardeios contra aldeias em diferentes regiões, frequentemente sem alvos militares aparentes. Em Natogyi, na região de Mandalay, um ataque aéreo a uma vila resultou na morte de dois idosos e ferimentos em um monge e outros moradores. Em Hsipaw, no estado de Shan, ataques aéreos mataram três civis e danificaram mais de 110 residências e mosteiros em pouco mais de um mês. Ataques como estes forçaram o deslocamento interno de milhares de pessoas, sobrecarregando comunidades já vulneráveis.

Paralelamente ao conflito militar, a população enfrenta uma crise econômica incapacitante. Uma grave escassez de combustível paralisou as maiores cidades, com filas intermináveis em postos de gasolina em Yangon e Naypyidaw. Os preços dispararam, com o litro da gasolina ultrapassando 3.000 kyats, enquanto o regime impunha limites de compra irrisórios. A crise é agravada pela desvalorização da moeda nacional e pela incapacidade do regime de gerir as reservas internacionais. Para completar o cenário de dificuldades, a junta anunciou um aumento súbito nas tarifas de energia elétrica, dobrando o custo para a população a partir de setembro.

Colapso territorial e o dilema geopolítico regional

A perda de território pela junta foi significativa, com relatos indicando que o controle efetivo do regime se restringia a cerca de 21% do território nacional, embora mantivesse as principais áreas urbanas. A queda da cidade estratégica de Lashio, próximo à fronteira com a China, para grupos armados étnicos representou uma humilhante derrota militar, marcando a primeira vez que um comando regional militar foi perdido. Este revés gerou tal insatisfação que houve pedidos internos para a renúncia do líder da junta, Min Aung Hlaing.

O avanço rebelde forçou uma reação de potências regionais, principalmente da China. Inicialmente tolerante com as ofensivas de grupos armados do norte, a mudança no equilíbrio de poder e a ameaça potencial a seus investimentos fizeram Pequim intervir, pressionando por um cessar-fogo e fechando passagens de fronteira. Apesar da pressão chinesa, a dinâmica do conflito parece irreversível, com analistas preveendo o contínuo enfraquecimento e possível colapso da estrutura de poder militar no ano seguinte.

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