Nikkei recua 0,1% em meio a alerta oficial sobre desvalorização excessiva do iene

Ações de Tóquio fecham em baixa com mercado em alerta para intervenção no iene

Negociações sem direção antes do Natal refletem cautela com moeda e cenário de juros mais altos

As ações de Tóquio encerraram o pregão desta quarta-feira (23) em leve baixa, em uma sessão considerada sem direção definida, enquanto muitos investidores aguardam as movimentações do período de festas de final de ano no exterior. O índice Nikkei 225 recuou 0,1%, fechando a 50.359,78 pontos. O tom cauteloso do mercado ocorre em meio a um severo alerta das autoridades japonesas sobre a desvalorização do iene, com a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, sinalizando prontidão para intervir nos mercados cambiais caso considere os movimentos da moeda como excessivos e especulativos.

A declaração da ministra, uma das mais fortes até o momento, ocorre após o iene atingir patamares mínimos em meses contra o dólar. Katayama afirmou que a recente queda da moeda “absolutamente não reflete os fundamentos” econômicos do país. Um iene fraco aumenta os custos das importações, pressionando a inflação e o custo de vida no Japão. O dólar foi negociado a 156,03 ienes, em comparação com 157,04 ienes no fechamento de segunda-feira.

O cenário de cautela se desdobra logo após uma decisão histórica do Banco do Japão (BoJ), que na semana passada elevou sua taxa básica de juros para 0,75%, o patamar mais alto desde 1995. O movimento marca a continuidade do processo de normalização da política monetária, após anos de taxas ultrabaixas, e tem como objetivo conter a inflação, que permanece acima da meta de 2% do banco central.

Analistas apontam que a subida dos juros, embora esperada, pode trazer desafios adicionais para uma economia que contraiu 2,3% em base anualizada no terceiro trimestre. Um custo de financiamento mais alto pressiona o governo, que está finalizando um projeto de orçamento recorde de aproximadamente 122,3 trilhões de ienes para o ano fiscal que começa em abril de 2026.

Para 2026, as perspectivas para o mercado acionário japonês seguem cautelosamente positivas, com expectativa de que os estímulos fiscais do governo e as reformas corporativas em andamento ofereçam suporte. No entanto, a evolução da taxa de juros, a volatilidade cambial e as tensões geopolíticas regionais são apontadas como os principais riscos que podem introduzir volatilidade no próximo ano.

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