Apoiado por Trump, conservador Nasry Asfura vence eleição presidencial em Honduras
Após quase um mês de incerteza e uma apuração marcada por problemas técnicos, o ex-prefeito de Tegucigalpa derrotou o rival por margem inferior a 1% e encerra o governo de esquerda de Xiomara Castro.
O conservador Nasry “Tito” Asfura foi declarado oficialmente o vencedor da eleição presidencial de Honduras, encerrando um processo eleitoral conturbado que se arrastou por quase um mês. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou nesta quarta-feira que Asfura, candidato do Partido Nacional e apoiado publicamente pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, obteve 40,3% dos votos, superando por uma estreita margem o candidato de centro-direita Salvador Nasralla, do Partido Liberal, que ficou com 39,5%. A candidata governista de esquerda, Rixi Moncada, do partido LIBRE, ficou em terceiro lugar.
A definição do resultado, referente à votação do dia 30 de novembro, foi marcada por prolongados atrasos na apuração, problemas técnicos e acusações mútuas de fraude entre os principais partidos. A disputa acirrada exigiu a contagem manual de um número significativo de urnas para a definição final do vencedor. A vitória de Asfura representa o retorno da direita ao poder após o mandato de quatro anos da esquerdista Xiomara Castro, que em 2021 levou a esquerda de volta à presidência após 12 anos de governos conservadores.
O presidente eleito comemorou o resultado em suas redes sociais. “Honduras: estou preparado para governar. Não vou decepcionar vocês”, escreveu Asfura. A previsão é que ele assuma a presidência no dia 27 de janeiro, governando até 2030. O anúncio do CNE, no entanto, foi imediatamente contestado pelo derrotado Salvador Nasralla, que rejeitou a declaração e afirmou que o órgão eleitoral excluiu cédulas que deveriam ter sido contabilizadas. A candidata governista Rixi Moncada também não reconheceu o resultado.
A eleição em Honduras foi fortemente influenciada pela política externa dos Estados Unidos. Dias antes da votação, Donald Trump emitiu um endosso público a Nasry Asfura, chamando-o de “único verdadeiro defensor da liberdade em Honduras” e sugerindo consequências para a ajuda financeira americana ao país se seu candidato não vencesse. Trump também concedeu perdão ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, aliado de Asfura do mesmo Partido Nacional, que cumpria pena de 45 anos nos EUA por tráfico de drogas. Essas ações foram classificadas por opositores como uma interferência descarada no processo eleitoral.
Após a confirmação do resultado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, parabenizou Asfura. “O povo hondurenho se pronunciou: Nasry Asfura é o próximo presidente de Honduras”, afirmou Rubio, pedindo que todas as partes respeitassem os resultados para uma transição pacífica. Observadores eleitorais internacionais, incluindo uma missão da União Europeia, relataram que, apesar das acusações, não encontraram evidências de fraude generalizada.
A vitória de Asfura consolida uma recente guinada à direita na América Latina, seguindo a tendência observada em países como Argentina, Chile e El Salvador. Seu plano de governo, batizado de “Visão 5 Estrelas”, promete focar na geração de empregos, atração de investimentos privados e no combate à insegurança, um dos principais problemas do país. Em política externa, ele sinalizou a possibilidade de realinhar Honduras com Taiwan, rompendo as relações estabelecidas com a China pelo governo de Xiomara Castro.
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