Premiê pede que empresas aprovem reajustes acima da inflação em 2026

Takaichi pede que empresas aprovem aumentos salariais acima da inflação em 2026

Premiê japonesa busca reaquecer o consumo em meio à queda prolongada do poder de compra

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, pediu publicamente às empresas do país que concordem com reajustes salariais acima da inflação nas negociações anuais de 2026. O apelo foi feito durante uma reunião com a Keidanren, a poderosa federação empresarial japonesa, na quinta-feira. Takaichi, que assumiu o cargo em outubro, busca impulsionar a receita do governo sem aumentar impostos, com o objetivo final de melhorar o consumo em um momento em que os preços persistentemente altos superam o crescimento dos salários reais.

A primeira-ministra, conhecida por suas posições favoráveis a políticas fiscais expansionistas, enfatizou a necessidade de proteger o poder de compra dos trabalhadores. “Mais uma vez, peço aos líderes empresariais que trabalhem para alcançar aumentos salariais base que não sejam corroídos pela alta dos preços”, declarou Takaichi. Yoshinobu Tsutsui, presidente da Keidanren, respondeu ao apelo, afirmando que os membros da federação “trabalharão para consolidar ainda mais o forte impulso para aumentos salariais”.

O pedido da premiê ocorre em um cenário econômico delicado. Os salários reais no Japão caíram 1,4% em setembro, marcando o nono mês consecutivo de queda. Enquanto os salários nominais subiram 1,9% no período, a inflação geral ficou em 2,9%, acima da meta de 2% do Banco do Japão, pressionada principalmente por alimentos e energia. Essa erosão do poder de compra é um dos principais desafios para o governo, que promete combater o custo de vida como “prioridade máxima”.

Do lado dos trabalhadores, os sindicatos já se mobilizam com demandas ambiciosas para as negociações de primavera (shunto) do próximo ano. O maior sindicato do país, a Rengo, exige um aumento de 5% ou mais. Já a federação de sindicatos da indústria metalúrgica definiu uma diretriz que pressiona por aumentos base de pelo menos 12.000 ienes para todos os seus membros, com o objetivo declarado de elevar de forma consistente os salários reais.

Analistas projetam que as negociações de 2026 devem manter um patamar elevado, possivelmente marcando o terceiro ano consecutivo com aumentos em torno de 5%, similar aos resultados históricos de 2024 e 2025. O impulso para os reajustes é sustentado por uma escassez crônica de mão de obra, resultados corporativos relativamente sólidos e a pressão para compensar a inflação. No entanto, persiste o desafio de fazer com que esses aumentos, mais expressivos nas grandes empresas, se estendam de forma plena às pequenas e médias empresas.

Para enfrentar o quadro econômico mais amplo, o governo Takaichi defende uma política fiscal que classifica como “responsável, porém agressiva”, com um pacote de estímulo substancial aprovado recentemente. A primeira-ministra também confirmou a meta de elevar os gastos com defesa para 2% do PIB. A coordenação entre a política fiscal expansionista do governo e a política monetária do Banco do Japão, que recentemente elevou as taxas de juros, será crucial para equilibrar o crescimento, conter a inflação e sustentar o ciclo virtuoso de aumentos salariais.

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