Retaliação chinesa atinge gigantes como Boeing e Northrop Grumman.

China impõe sanções a 20 empresas de defesa dos EUA por venda de armas a Taiwan

Medida de retaliação inclui congelamento de ativos e proibição de negócios no país, atingindo gigantes como Boeing e Northrop Grumman

O governo chinês anunciou, nesta sexta-feira (26), sanções contra 20 empresas norte-americanas do setor de defesa e 10 de seus executivos. A medida é uma resposta direta à aprovação, pelo governo dos Estados Unidos, de um maciço pacote de venda de armas para Taiwan, no valor superior a 10 bilhões de dólares, na semana passada.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, as sanções determinam o congelamento de todos os ativos que as empresas e os indivíduos possuam em território chinês. Além disso, organizações e cidadãos da China ficam formalmente proibidos de realizar qualquer tipo de transação ou cooperação com os sancionados. Os executivos listados também estão proibidos de entrar na China, incluindo as regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau.

Entre as empresas afetadas estão algumas das maiores e mais conhecidas do complexo industrial-militar dos Estados Unidos. A lista inclui a Northrop Grumman Systems Corporation, a L3Harris Maritime Services e a divisão da Boeing na cidade de St. Louis, no estado do Missouri. Outras empresas sancionadas são a Gibbs & Cox, a Advanced Acoustic Concepts, a Red Cat Holdings, a Sierra Technical Services e a startup de defesa Anduril Industries.

Dentre os dez executivos sancionados, estão Palmer Luckey, fundador da Anduril Industries; John Cantillon, vice-presidente da L3Harris; e Michael J. Carnovale, presidente da Advanced Acoustic Concepts. As sanções entraram em vigor imediatamente, a partir da data do anúncio.

O gatilho para a retaliação foi o anúncio feito pelo governo dos Estados Unidos em 17 de dezembro, autorizando a venda de um pacote de armas e serviços militares para Taiwan. O acordo, que ainda depende de aprovação do Congresso norte-americano, é estimado em mais de 10 bilhões de dólares e inclui sistemas de mísseis de médio alcance, veículos de lançamento de foguetes de alta mobilidade (HIMARS), drones e uma ampla gama de equipamentos de comunicação, software tático, peças de reposição e suporte logístico.

Em comunicado oficial, a chancelaria chinesa foi enfática ao classificar a venda de armas como uma grave violação e uma interferência nos assuntos internos do país. Um porta-voz do ministério afirmou que “a questão de Taiwan está no cerne dos interesses fundamentais da China e constitui a primeira linha vermelha que não deve ser cruzada nas relações China-EUA”. A nota ainda alertou que “qualquer empresa ou indivíduo que se envolva na venda de armas para Taiwan pagará o preço por esse delito” e pediu que os EUA cessem os “perigosos movimentos de armar Taiwan”.

A ilha de Taiwan é governada de forma autônoma desde 1949, mas é reivindicada pela China como parte inegociável de seu território. Os Estados Unidos mantêm relações não oficiais com Taipei e, sob a lei norte-americana, são obrigados a fornecer meios para a autodefesa da ilha, um ponto que se tornou uma crescente fonte de atrito com Pequim. Nos últimos anos, a tensão no Estreito de Taiwan tem aumentado, com a China realizando exercícios militares frequentes nas proximidades da ilha.

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