Queda do Bitcoin pressiona ações de empresas japonesas que adotaram a criptomoeda como reserva.

Queda do Bitcoin abala empresas japonesas e acende alerta regulatório

Recuo do preço da criptomoeda expõe riscos da estratégia adotada por empresas e pressiona suas ações na bolsa de Tóquio.

Uma forte queda no valor do Bitcoin no final de 2025 está causando um grande impacto nas empresas, especialmente no Japão, onde diversas companhias adotaram a criptomoeda como parte de suas reservas financeiras. A queda vertiginosa no preço, que chegou a ultrapassar os 5% em uma semana e afundou abaixo de 90 mil dólares em novembro, está derrubando as ações dessas empresas na Bolsa de Valores de Tóquio e reacendendo o debate sobre os riscos dessas apostas. Diante da volatilidade, o Japan Exchange Group (JPX), que opera a bolsa, está considerando impor regras mais rigorosas para as chamadas “empresas de tesouraria de criptoativos”.

O movimento de empresas japonesas em direção ao Bitcoin ganhou força ao longo do ano, com o objetivo de diversificar caixa, se proteger da inflação ou atrair investidores em busca de retornos elevados. No entanto, muitas delas usaram dívida, como títulos conversíveis, para financiar essas compras, apostando que o preço continuaria subindo. Quando a tendência se reverteu, essas companhias ficaram expostas ao risco de ter que reembolsar grandes quantias em dinheiro, pressionando sua liquidez.

Os efeitos na bolsa japonesa têm sido amplos e severos. A Bitcoin Japan, uma empresa têxtil centenária que recentemente adotou uma nova identidade focada em criptomoedas, viu suas ações caírem quase 60% em cinco dias. Outras, como a desenvolvedora de jogos Gumi e o gigante financeiro SBI Holdings, também registraram quedas superiores a 12%. Até grandes conglomerados, como a Rakuten, cuja operação de criptomoedas é apenas uma parte pequena de seus negócios, não escaparam, com recuos similares em suas cotações.

Diante das perdas, o Japan Exchange Group está avaliando medidas para frear o crescimento rápido desse modelo de negócio. As considerações incluem regulamentações mais rígidas para fusões que possam configurar listagens indiretas e auditorias obrigatórias. Desde setembro, a JPX já solicitou que pelo menos três empresas suspendessem a compra de criptoativos devido a preocupações com a captação de recursos. Esse aperto reflete uma tendência regional, com bolsas em Hong Kong, Austrália e Índia também aumentando o escrutínio sobre empresas que seguem esse modelo.

Especialistas apontam que, para sobreviver, as empresas precisarão gerar receita a partir de seus holdings de Bitcoin, seja por meio de produtos financeiros ou outras estratégias, e não depender apenas da valorização do ativo. Apesar da turbulência atual, alguns participantes do mercado, como a japonesa Metaplanet, mantêm uma visão de longo prazo, enxergando a volatilidade como um custo para o potencial de ganho futuro.

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