Diretor do BoJ pede continuidade de alta de juros para controlar inflação e iene fraco

Banco do Japão deve manter ritmo de alta de juros, defende membro do conselho

Resumo de reunião revela que diretor vê taxa atual como “muito baixa” para conter inflação e iene fraco; BoJ elevou juros para 0,75% em dezembro

Um dos diretores do Banco do Japão defendeu que a instituição continue aumentando as taxas de juros com intervalos de “alguns meses” durante o período atual. A posição foi revelada no resumo das opiniões da reunião de política monetária realizada entre os dias 18 e 19 de dezembro, divulgado nesta segunda-feira. O documento também registra a visão de que a taxa básica de juros da autoridade monetária está “muito baixa em relação à taxa de inflação” para conter a desvalorização do iene e o aumento dos rendimentos dos títulos do governo.

Naquela reunião, o Comitê de Política do BoJ votou pela elevação da taxa básica de juros de 0,50% para 0,75%, seu nível mais alto desde 1995. De acordo com o resumo, muitos membros do comitê consideraram apropriado realizar o aumento. Um deles argumentou que os lucros corporativos têm sido sólidos o suficiente para sustentar aumentos salariais e que, se as condições financeiras atuais forem mantidas, a pressão inflacionária deve continuar. “Portanto, esperar até a próxima reunião de política monetária acarreta um risco considerável”, disse o membro, de acordo com o documento.

A decisão de dezembro ocorre em um momento de inflação persistente, que se mantém acima da meta de 2% do Banco do Japão há 44 meses consecutivos, e de fragilidade no crescimento econômico, com o PIB do terceiro trimestre apresentando uma contração revisada para baixo. Ao mesmo tempo, o banco central projeta que a inflação central deve desacelerar para abaixo de 2% entre abril e setembro de 2026 e que as empresas devem continuar a elevar salários no próximo ano.

O resumo também destaca a necessidade de observação atenta das tendências futuras de investimento e lucros corporativos, em meio à implementação de um grande pacote de estímulo fiscal pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi. A expectativa é que o Banco do Japão opere em estreita colaboração com o governo para alcançar de forma sustentável a meta de estabilidade de preços.

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