Atualizado em 15/10/2026. Regras e valores mudam — confirme na fonte oficial antes de agir.
As opções para enviar dinheiro ao Brasil
Quem mora no Japão tem basicamente três caminhos para mandar dinheiro ao Brasil:
- Banco tradicional — no Japan Post Bank (ゆうちょ銀行, Yūcho Ginkō — o banco dos correios), a remessa internacional no balcão e pelo ゆうちょダイレクト (Yūcho Direct, o internet banking) foi encerrada em agosto de 2025. Hoje o banco opera o serviço web ゆうちょの国際送金 (Yūcho no kokusai sōkin — remessa internacional do banco postal), que roda pelo computador ou celular, 24 horas por dia (com pausa técnica entre 23h55 e 0h05), e exige 総合口座 (sōgō kōza — conta corrente combinada) ou 振替口座 (furikae kōza — conta de transferências) em nome de pessoa física.
- Serviços especializados (Wise, Remitly) — empresas de transferência internacional licenciadas no Japão (a Remitly Japan K.K., por exemplo, é registrada como provedora de serviços de transferência de fundos tipo II pela lei de serviços de pagamento). A conta é criada online, a identidade é verificada pelo celular e o dinheiro cai direto na conta ou no Pix do destinatário.
- Outras corretoras e aplicativos — há outras opções no mercado. Os critérios deste guia servem para comparar qualquer uma delas.
Comparativo: quanto custa enviar ¥100.000
Este é um comparativo informativo e datado: os números abaixo foram pesquisados nos sites oficiais de cada serviço em 15/10/2026 e mudam todos os dias. Faça a simulação no site do serviço no dia em que for enviar.
| Serviço | Tarifa | Câmbio aplicado | Total pago | Chega ao destinatário |
|---|---|---|---|---|
| Japan Post Bank (ゆうちょの国際送金) | ¥3.000 | Taxa de venda do banco em dólar, com margem — confirme no dia | ¥103.000 + margem cambial | Em dólar (USD): US$10 de tarifa de intermediário em envios de US$100 ou mais, além de eventuais tarifas do banco no Brasil |
| Wise | ¥1.433, impostos incluídos (varia com a forma de pagamento) | 1 iene = 0,031792 real (câmbio efetivo) | ¥101.433 | R$ 3.179,22 em reais |
| Remitly (1ª remessa) | ¥60, zerada na promoção de boas-vindas | 0,03229 (promoção); câmbio padrão 0,03201 | ¥100.407, com IOF de ¥407 | R$ 3.229,00 via Pix ou depósito bancário |
Observações conferidas no mesmo dia:
- A Wise exibiu estimativa de entrega "hoje — em segundos" (pagando com saldo da conta Wise; transferência bancária, segundo o próprio site, "pode demorar mais"). O câmbio fica garantido por 10 horas.
- A Remitly promete prazo de entrega garantido: se atrasar, reembolsa as tarifas. A entrega no Brasil é por Pix ou depósito em banco (Bradesco, Nubank, Itaú, Banco do Brasil, Caixa, Santander e outros parceiros).
- O Japan Post Bank não publica prazo fixo: a página oficial do Brasil avisa que a conferência de dados pode levar cerca de 1 mês em alguns casos antes do envio.
Detalhes que pesam no custo real:
- No Japan Post Bank, a remessa para o Brasil sai em dólar, não em reais. Quem converte para reais é o banco no Brasil, com o câmbio dele — confirme antes de enviar.
- Na Remitly, a promoção (tarifa zero + câmbio de boas-vindas) vale só para novos clientes, nos primeiros ¥100.000. Depois disso, a tarifa é ¥60 e vale o câmbio padrão do dia.
- Cartão de crédito não é aceito como forma de pagamento na Remitly a partir do Japão; pague por conta bancária (aceita no Japão) ou cartão de débito.
Documentos necessários (e a regra do My Number)
A exigência do My Number (マイナンバー — kōjin bangō, número pessoal) em remessas ao exterior é real e vem da lei japonesa de declarações de remessas internacionais — não é frescura de banco. Como cada serviço aplica a regra do seu jeito, confirme os detalhes no seu banco ou serviço; o que está verificado nas fontes oficiais é isto:
- Japan Post Bank: exige a declaração do My Number tanto para enviar quanto para receber remessas internacionais. O registro só é feito no balcão do correio ou da agência — não dá pelo ゆうちょダイレクト (Yūcho Direct). Leve o My Number Card; se não o tiver, 通知カード (tsūchi kādo — cartão-aviso do My Number) ou 住民票 (jūminhyō — comprovante de residência) com o número, mais documento de identidade (com o card, o segundo documento não é necessário). Estrangeiros sem My Number (por exemplo, sem 住民票) devem informar isso ao banco.
- Wise: pede documento com o My Number na verificação da conta, exceto se você usar o próprio My Number Card como documento de foto. Os dados (nome, data de nascimento, endereço) precisam ser idênticos no documento, no comprovante e no cadastro.
- Remitly: a verificação de identidade é feita com foto de um documento — My Number Card ou, para estrangeiros, 在留カード (zairyū kādo — cartão de residência) ou certificado de residente permanente especial —, mais selfie e um vídeo curto gravado pelo celular.
Além do My Number, tenha em mãos:
- Conta bancária no Japão em seu nome (総合口座 ou 振替口座, no caso do Japan Post Bank).
- Dados do destinatário: nome completo, banco, agência e conta — ou a chave Pix, quando o serviço aceitar essa entrega.
- Documentos extras (comprovante de renda, origem do dinheiro), se o serviço pedir na análise do valor.
Passo a passo da primeira remessa
Exemplo com a Wise, o caminho mais barato entre os verificados no dia da pesquisa:
- Crie a conta no app ou site e faça a verificação de identidade: documento com foto — My Number Card ou 在留カード (zairyū kādo), para quem tem visto de longa permanência — e, se não usar o card, o documento do My Number. O serviço mostra um código de 4 dígitos — escreva no papel e fotografe o documento com ele, como manda o tutorial.
- Monte a remessa: digite o valor em ienes (por exemplo, ¥100.000) para reais e confira a tarifa, o câmbio efetivo e quanto o destinatário recebe — o câmbio fica garantido por 10 horas.
- Informe o destinatário: nome completo e dados da conta bancária no Brasil.
- Pague em ienes: por transferência bancária do seu banco japonês ou cartão de débito, seguindo as instruções do app.
- Acompanhe: cada etapa aparece no aplicativo até o dinheiro chegar em reais na conta do Brasil.
No Japan Post Bank, o caminho é outro: registre o My Number no balcão (uma única vez), faça a verificação de identidade pelo ゆうちょ認証アプリ (Yūcho ninshō apuri — o app de autenticação do banco postal), cadastre o destinatário no site do serviço e envie — de olho nos limites: menos de ¥1 milhão por remessa, até ¥2 milhões por dia e ¥5 milhões por mês. Para envios acima de US$3.000, o destinatário pode precisar ir ao banco no Brasil para liberar o dinheiro.
Quando compensa cada opção
- Remessas rotineiras: Wise e Remitly entregam em reais, direto na conta ou no Pix, com câmbio próximo ao comercial e prazo curto. No exemplo do dia, as duas entregaram mais de R$ 3.100 por ¥100.000, contra uma tarifa fixa alta e deduções em dólar no banco tradicional.
- Primeira remessa: a promoção da Remitly (tarifa zero + câmbio de boas-vindas nos primeiros ¥100.000) foi a melhor taxa encontrada no dia da pesquisa.
- Quem já usa o banco e prefere agência: o serviço web do Japan Post Bank resolve sem ir ao balcão, mas peca no câmbio (via dólar) e na demora possível da conferência.
- Valores maiores: os limites do banco são baixos (¥1 milhão por remessa); nos especializados, os limites variam conforme a verificação de identidade — confira no simulador antes.
Três dicas finais: compare sempre o valor final em reais (tarifa + câmbio + impostos), e não só a tarifa; refaça a simulação no dia do envio, porque o câmbio muda todo dia; e desconfie de pedidos de remessa de desconhecidos — bancos e serviços recusam envios com indício de golpe, e dinheiro enviado por engano dificilmente volta.
Fontes oficiais
- https://wise.com/br/send-money/send-money-to-brazil-from-japan
- https://wise.com/help/articles/2968293/getting-verified-in-japan
- https://www.remitly.com/jp/pt/money-transfer/send-money-to-brazil
- https://www.jp-bank.japanpost.jp/kojin/sokin/kokusou/kj_sk_ks_websvik.html
- https://www.jp-bank.japanpost.jp/kojin/sokin/kokusou/kj_sk_ks_index.html
- https://www.jp-bank.japanpost.jp/kojin/sokin/kokusou/kj_sk_ks_country.html?id=brazil
- https://www.jp-bank.japanpost.jp/information/mynumber.html
- https://faq.jp-bank.japanpost.jp/faq_detail.html?id=1030
Este guia é informativo e não substitui a orientação do órgão oficial nem aconselhamento jurídico. Regras, valores e prazos mudam — confirme nas fontes oficiais antes de agir.
