Refugiados rohingya apostam em nova liderança eleita para buscar repatriamento.

Rohingya elegem novo conselho e depositam esperança no caminho para casa

Crise humanitária completa oito anos com cortes de ajuda e condições precárias nos campos de Bangladesh

Refugiados rohingya que vivem em campos superlotados em Bangladesh elegeram um novo conselho de liderança, alimentando a esperança de que esta representação possa melhorar as condições de vida e reacender os esforços para um retorno seguro e voluntário a Mianmar. A eleição, realizada em julho, foi a primeira desde o grande êxodo de 2017 e resultou na formação do Conselho Unido de Rohang (UCR).

Os campos em Cox’s Bazar, que se estendem por 8.000 acres e abrigam cerca de 1,7 milhão de pessoas, enfrentam uma crise humanitária profunda. A situação foi agravada por cortes significativos na ajuda internacional, que forçaram o fechamento de escolas e centros de proteção à juventude. Consequências diretas incluem o aumento de casamentos forçados de meninas e a exploração do trabalho infantil, com relatos de crianças a partir dos 10 anos sendo submetidas a trabalhos pesados.

O novo conselho, eleito por mais de 3.000 votantes de 33 campos diferentes, busca se tornar a voz oficial dos rohingya nas mesas de negociação sobre seu futuro. “O UCR quer emergir como a voz dos rohingyas na mesa de negociações”, afirmou o presidente do conselho, Mohammad Sayed Ullah. Líderes do grupo enfatizam a necessidade de não esquecer a violência que forçou a fuga e a importância de se preparar para o retorno, desde que com direitos e segurança garantidos.

Entretanto, a esperança convive com enormes desafios. Analistas internacionais questionam o nível de autonomia do novo conselho, sugerindo que as eleições podem ter sido rigidamente controladas pelas autoridades de Bangladesh. Além da precariedade material, a segurança nos campos é uma ameaça constante, com a presença de grupos armados e um aumento da violência. Um relatório de uma organização de direitos humanos registrou pelo menos 65 rohingyas mortos apenas em 2024.

A desesperança e a deterioração das condições estão levando um número crescente de refugiados a tentar viagens marítimas perigosas. Dados mostram que o número de pessoas que deixaram Bangladesh por barco triplicou no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, incluindo dezenas de crianças. A comunidade internacional, por meio de um plano de resposta conjunto, busca cerca de 935 milhões de dólares para atender às necessidades mais urgentes da população refugiada e das comunidades que a acolhem.

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