Apesar do filho ser primeiro-ministro, Hun Sen segue dominando política cambojana

Hun Sen permanece como força dominante na política do Camboja

Transição para o filho Hun Manet não significou mudança real no poder, apontam analistas

Por anos, foi comum descrever o Camboja como um país estagnado, preso em uma estase autoritária, imune a pressões e a mudanças significativas. Essa avaliação, no entanto, começa a parecer questionável. Embora Hun Sen claramente continue sendo a força dominante na política cambojana, sua legitimidade dentro de seu partido, o Partido Popular do Camboja (CPP), está provavelmente mais diminuída hoje do que em qualquer momento da última década.

O cenário político se complexifica com a formalização da sucessão: Hun Manet, filho de Hun Sen, assumiu o cargo de primeiro-ministro, mas o pai segue sendo a figura central do poder. Enquanto isso, justamente quando uma potencial “janela de oportunidade” para mudança se abre, a resposta internacional permanece descalibrada, tímida e perigosamente fora de sintonia com a realidade, segundo análise publicada no The Diplomat.

Esta “janela” não representa um momento de despertar democrático. O Camboja não está repentinamente à beira de uma revolta popular. Na verdade, o nacionalismo pró-CPP está em seu ponto mais alto, alimentado inclusive por tensões regionais. No entanto, a opinião pública deixou de influenciar o regime há muito tempo, se é que alguma vez o fez. A mudança em curso é algo muito mais familiar e consequente em um estado unipartidário completamente criminalizado: um momento de fratura incipiente dentro da própria elite.

Analistas sugerem que este é um período crítico, onde disputas internas no seio do partido no poder podem criar brechas imprevisíveis. A incapacidade da comunidade internacional em reconhecer e engajar-se com essas nuances internas pode significar perder uma chance rara de influenciar a trajetória do país, com consequências que se estendem para além das suas fronteiras.

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