Do declínio doméstico à esperança global: artesãos de tatami encontram novo fôlego com compradores estrangeiros
Com a produção nacional em queda livre, a tradição milenar do tatami ressurge pelo interesse internacional em design e renovação de propriedades.
Em uma fria manhã de inverno em Tóquio, Toshiyuki Namigai, proprietário de uma loja de tatami no distrito de Sangenjaya, apresenta com orgulho uma variedade de esteiras a um cliente especial. “Quanto mais grossas as esteiras, mais bonitas”, explica ele, enquanto mostra amostras de diferentes densidades e cores para Anton Wormann, um empreendedor sueco que se dedica a reviver propriedades abandonadas no Japão. A cena, que poderia ser comum no passado, hoje representa um novo e vital capítulo para uma tradição ameaçada.
O cenário para artesãos como Namigai mudou drasticamente nas últimas décadas. Em seu bairro, o número de lojas de tatami despencou de 100 para apenas 20 nos últimos 30 anos. Os números nacionais revelam uma queda ainda mais acentuada: em 1996, o Japão produziu 26,9 milhões de esteiras de tatami, mas em 2024, a produção foi de apenas 1,4 milhão. Este declínio reflete mudanças profundas nos estilos de vida e na arquitetura residencial japonesa.
Contudo, uma luz no fim do túnel surgiu de uma direção inesperada: o mercado estrangeiro. A demanda internacional por tatamis está em crescimento, impulsionada por uma apreciação global pela estética japonesa, design sustentável e o movimento de renovação de propriedades. O mercado global de tatamis, avaliado em bilhões de dólares, deve continuar se expandindo, com a região da Ásia-Pacífico liderando o crescimento.
Anton Wormann é um exemplo emblemático desse novo comprador. Ex-modelo sueco que se tornou uma sensação nas redes sociais ao renovar *akiya* (casas abandonadas japonesas), Wormann combina o design escandinavo com elementos tradicionais japoneses. Ele possui sete propriedades, a maioria em Tóquio, e utiliza tatami para criar espaços que mesclam funcionalidade, tradição e uma estética minimalista. Seu trabalho, documentado para milhões de seguidores, ajuda a popularizar o uso do tatami além das fronteiras do Japão.
Para os artesãos, esse interesse externo não é apenas um negócio, mas uma tábua de salvação. O tatami, feito de palha de arroz e grama *igusa*, é mais do que um piso; é um símbolo cultural ligado a cerimônias do chá, etiqueta e uma filosofia de vida que valoriza a simplicidade e a conexão com a natureza. Seus benefícios práticos, como isolamento térmico, absorção sonora e propriedades hipoalergênicas, também aumentam seu apelo no exterior.
Apesar dos desafios, a história de Namigai e Wormann mostra uma adaptação resiliente. Enquanto o mercado doméstico busca seu novo lugar, a arte do tatami encontra um novo propósito e apreciação no mundo, garantindo que o conhecimento dos mestres artesãos continue a ser transmitido, agora para uma audiência global.
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