Especialistas alertam para riscos ao dólar, apesar de ainda não haver substituto à vista.

O “privilégio exorbitante” do dólar está sendo colocado em jogo, alertam analistas

Moeda americana mantém status de principal reserva global, mas ciclo de déficits e políticas monetárias arriscam sua posição no longo prazo.

O dólar americano permanece como a principal moeda de reserva global, um status inquestionável desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Essa posição privilegiada permite aos Estados Unidos captar recursos a juros excepcionalmente baixos, pois os títulos do Tesouro são vistos como o ativo seguro por excelência por bancos centrais e investidores privados.

Este benefício foi descrito, nos anos 1960, pelo então ministro das Finanças francês, Valery Giscard d’Estaing, como um “privilégio exorbitante”. No entanto, especialistas apontam que tal vantagem, sustentada pela demanda constante por títulos americanos, gerou sucessivas gerações de políticos e formuladores de políticas nos EUA que negligenciam os riscos representados pelo crescimento dos déficits em conta corrente e fiscal do país.

A situação se agravou após a crise financeira global de 2008, quando o Federal Reserve manteve sua taxa de juros básica em patamares historicamente baixos por um período prolongado. Para muitos, essa política foi interpretada como permanente, criando a falsa premissa de que o crescimento econômico dos EUA sempre superaria a taxa de juros real da dívida pública.

Apesar do estoque de dívida ter aumentado significativamente, o Escritório de Orçamento do Congresso americano chegou a apontar que os gastos líquidos com juros do governo como parcela do PIB estavam mais baixos em 2021 do que duas décadas antes, o que pode ter alimentado uma sensação de segurança. Contudo, a combinação de inflação mais alta nos EUA e uma fragmentação crescente no comércio global com o país coloca pressões de longo prazo sobre a moeda. Embora não exista um candidato imediato para suplantar o dólar, os riscos à sua hegemonia estão se acumulando.

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