Japão atinge proporção recorde de idosos na população
Com 36,19 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, país também registra número histórico de centenários e aumento de idosos na força de trabalho
O Japão alcançou um novo marco em seu perfil demográfico: 36,19 milhões de seus habitantes têm 65 anos ou mais, o que representa 29,4% da população total, a maior proporção já registrada no país. Os dados, divulgados pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, confirmam a tendência de envelhecimento acelerado que define os desafios e as transformações da sociedade japonesa. Paralelamente, o número de centenários também bateu recorde, chegando a 99.763 pessoas, em um aumento contínuo que já dura 55 anos.
A longevidade excepcional é um dos pilares desse cenário. A pessoa mais velha do Japão é Shigeko Kagawa, de 114 anos, uma médica ginecologista-obstetra aposentada que trabalhou até os 86 anos. Em comunicado, ela atribuiu sua vitalidade aos muitos anos caminhando para visitar pacientes. O homem mais velho é Kiyotaka Mizuno, de 111 anos. Especialistas apontam que fatores como uma dieta balanceada rica em peixes e vegetais, a prática regular de atividades físicas — fortalecida por programas públicos como o Rádio Taiso —, uma vida social ativa, um sistema de saúde robusto e uma atitude positiva perante a vida contribuem para esses números.
As mulheres são a grande maioria entre os mais velhos, representando 88% do total de centenários. A expectativa de vida no país é de 87,13 anos para mulheres e 81,09 anos para homens. A província de Shimane, no oeste do país, lidera pelo 13º ano consecutivo a proporção de centenários, com 168,69 para cada 100 mil habitantes.
Enquanto a população idosa cresce em proporção, um número recorde de seus integrantes permanece economicamente ativo. Cerca de 9,3 milhões de pessoas com 65 anos ou mais estavam empregadas em 2024, o que significa que um em cada quatro idosos ainda trabalha. O setor de atacado e varejo é o que mais emprega essa faixa etária, seguido pelo setor médico e de bem-estar.
Por trás dos recordes de longevidade, no entanto, esconde-se uma crise demográfica profunda, que o primeiro-ministro Shigeru Ishiba classificou como “emergência silenciosa”. A população japonesa está encolhendo em ritmo acelerado, com um declínio de quase um milhão de pessoas em um ano, marcado por um número de mortes que mais que dobrou o de nascimentos. Para enfrentar o problema, o governo prometeu medidas como creches gratuitas e horários de trabalho mais flexíveis para estimular a natalidade.
O fenômeno do envelhecimento também começa a se estender à comunidade estrangeira no Japão, que já soma 3,77 milhões de residentes. Com muitos trabalhadores estrangeiros atuando em setores como serviços e indústria, surge a questão sobre como o país irá integrar e cuidar dessas pessoas na velhice, considerando desafios como barreiras linguísticas e acesso a serviços de assistência social.
Em meio aos desafios, a data de 15 de setembro, Dia do Respeito aos Idosos, foi marcada pela tradição de homenagens. Os novos centenários receberam cartas e taças de prata do primeiro-ministro, em um gesto simbólico que reflete o valor cultural dado à experiência e à sabedoria dos mais velhos na sociedade japonesa.
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