Visita histórica de Kim Ju-ae a mausoléu alimenta rumores sobre futuro político

Filha de Kim Jong-un faz visita inédita a mausoléu em ato carregado de simbolismo político

Presença de Kim Ju-ae em local sagrado da dinastia Kim em 1º de janeiro é analisada como possível passo em direção à sua futura designação como sucessora

A filha do líder norte-coreano Kim Jong-un, Kim Ju-ae, realizou sua primeira visita pública ao Palácio do Sol de Kumsusan, o mausoléu estatal onde repousam os corpos de seu bisavô Kim Il-sung, fundador do país, e de seu avô Kim Jong-il. As imagens da visita, ocorrida no dia 1º de janeiro, foram divulgadas pela agência de notícias estatal KCNA e mostram a jovem acompanhando os pais, Kim Jong-un e Ri Sol-ju, em um ato de homenagem aos antigos líderes, posicionando-se entre eles no salão principal do local.

Especialistas em Coreia do Norte interpretam a presença de Ju-ae neste local de extrema importância simbólica como um movimento calculado de seu pai, possivelmente antecipando um anúncio formal sobre a sucessão em um futuro congresso do Partido dos Trabalhadores. O Palácio do Sol de Kumsusan é mais do que um mausoléu; é o epicentro do culto à dinastia Kim e um pilar da legitimidade do regime, tornando a primeira aparição pública da jovem ali um evento de alto significado político.

Nos últimos três anos, Kim Ju-ae tem sido gradativamente introduzida à população norte-coreana e ao mundo através da mídia estatal, com aparições cada vez mais frequentes e proeminentes. Ela foi apresentada publicamente em 2022, durante um lançamento de míssil balístico intercontinental, e desde então tem acompanhado o pai em eventos militares, paradas e, em setembro passado, em sua primeira viagem oficial ao exterior, para Pequim. A mídia estatal já se referiu a ela com termos honoríficos como “a filha querida” e “hyangdo” (grande pessoa de orientação), uma expressão tradicionalmente reservada aos principais líderes e seus sucessores designados.

Apesar do simbolismo, analistas pedem cautela ao interpretar esses movimentos como uma confirmação definitiva. A idade de Kim Ju-ae nunca foi oficialmente confirmada pelo regime, mas acredita-se que ela tenha cerca de 13 anos, sendo considerada jovem demais para assumir qualquer cargo formal no partido. Especialistas sul-coreanos também lembram que a existência de outros filhos de Kim Jong-un torna a dinâmica sucessória complexa e imprevisível. Para o governo da Coreia do Sul, ainda é prematuro afirmar que Ju-ae será a sucessora, destacando sua idade e a ausência de uma posição oficial no partido ou no governo.

A Coreia do Norte é governada pela dinastia Kim desde sua fundação, em 1948, sendo frequentemente descrita como a única monarquia comunista do mundo. A propaganda estatal construiu uma narrativa em torno da “linhagem de sangue Paektu”, apresentando a família governante como legítima e divina. Visitas de Kim Jong-un ao mausoléu em datas importantes são um ritual para reforçar essa herança e a continuidade do poder. A inclusão de Kim Ju-ae neste ritual anual de Ano Novo é vista como uma extensão dessa narrativa, projetando uma imagem de família estável e assegurando ao povo norte-coreano que a linhagem continuará.

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