Tesla perde coroa de maior fabricante mundial de veículos elétricos para BYD
Queda nas vendas da empresa de Elon Musk e crescimento chinês marcam virada histórica no setor
A Tesla cedeu o título de maior fabricante mundial de veículos elétricos para a chinesa BYD, encerrando uma era de domínio que ajudou a popularizar os carros plug-in na última década. A empresa norte-americana registrou queda nas entregas pelo segundo ano consecutivo, enquanto a concorrente chinesa ampliou sua produção e presença global de forma acelerada.
Os números oficiais mostram que a Tesla entregou aproximadamente 1,64 milhão de veículos totalmente elétricos em 2025, uma redução de cerca de 9% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, as entregas caíram 16%, para 418.227 unidades, ficando abaixo das expectativas de analistas de mercado. Em contraste, a BYD anunciou a venda de 2,26 milhões de carros elétricos no mesmo período, consolidando sua nova posição de liderança.
A mudança no ranking ocorre em um contexto de desafios múltiplos para a Tesla. A expiração, em setembro passado, de um crédito fiscal federal de US$ 7.500 para compradores de veículos elétricos nos Estados Unidos impactou significativamente a demanda no último trimestre. Paralelamente, a empresa enfrenta uma concorrência cada vez mais acirrada de fabricantes chineses e europeus, além de lidar com questionamentos de consumidores sobre o posicionamento político de seu CEO, Elon Musk.
Do outro lado, a BYD, cujo nome é um acrônimo para “Build Your Dreams” (Construa Seus Sonhos), aproveitou sua forte base na China, o maior mercado mundial de veículos de nova energia, e acelerou sua expansão internacional. A empresa, que começou como fabricante de baterias, viu suas vendas fora da China saltarem para cerca de 1 milhão de unidades em 2025, um crescimento de aproximadamente 150% em relação a 2024, com forte desempenho na Europa, Sudeste Asiático e Oriente Médio.
Na tentativa de recuperar fôlego, a Tesla lançou em outubro versões mais básicas e baratas do Model Y e do Model 3, com preços cerca de US$ 5.000 inferiores aos modelos anteriores. A estratégia, porém, parece ainda não ter revertido a tendência de queda no curto prazo. Enquanto isso, o mercado financeiro tem reagido de forma mista. As ações da Tesla caíram cerca de 2% após o anúncio dos números, mas acumularam uma valorização de mais de 11% ao longo de 2025, refletindo uma aposta dos investidores em uma futura transformação da empresa.
Esse otimismo está vinculado ao redirecionamento estratégico de Elon Musk, que tem colocado ênfase pública no desenvolvimento de tecnologias de táxis autônomos (robotáxis), robôs humanoides e inteligência artificial física, em vez de focar exclusivamente no negócio de fabricação de automóveis. Analistas apontam que a capacidade da Tesla de reverter a trajetória atual de vendas dependerá, em parte, do sucesso dessas novas apostas e da superação de barreiras regulatórias, especialmente na Europa.
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