Fim de coalizão histórica redefine o futuro do partido Komeito no Japão
Após 26 anos no governo, partido centrista é forçado a buscar novo caminho fora do poder
O cenário político japonês passou por uma transformação radical com o fim da coalizão de governo que durou 26 anos, um rompimento que ocorreu às vésperas da posse da primeira-ministra Sanae Takaichi, em outubro de 2025. Esta decisão histórica força o partido Komeito, que por muito tempo exerceu uma influência desproporcional ao seu tamanho, a redefinir completamente seu futuro político fora do governo a partir de 2026.
A ruptura marca o fim de uma parceria que garantiu estabilidade política por mais de um quarto de século, iniciada em 1999. O anúncio foi feito pelo líder do Komeito, Tetsuo Saito, que justificou a decisão citando um profundo descontentamento com a resposta do Partido Liberal Democrata (PLD) às exigências por uma regulamentação mais rígida sobre doações políticas, em meio a escândalos de corrupção que abalaram a confiança pública. Em coletiva de imprensa, Saito afirmou que a proposta do PLD de considerar o assunto no futuro era “insuficiente e decepcionante”.
Do outro lado, a então nova líder do PLD, Sanae Takaichi, que havia sido eleita para comandar o partido no início de outubro, recebeu a notícia como um golpe. Ela declarou ter sido informada unilateralmente da decisão e lamentou profundamente o fim de uma relação de cooperação que existia há 26 anos, inclusive quando os partidos estiveram na oposição. Takaichi afirmou ter sido surpreendida por um ultimato de um dia para aceitar as condições do Komeito.
Para assegurar sua eleição como primeira-ministra e a governabilidade, Takaichi foi forçada a buscar um novo aliado rapidamente. O PLD fechou um acordo de coalizão com o Partido da Inovação do Japão (JIP), garantindo os votos necessários para sua eleição no Parlamento em 21 de outubro. A nova primeira-ministra conseguiu 237 votos na Câmara Baixa, superando a marca necessária para a vitória.
O colapso da aliança governista não foi apenas um terremoto político, mas também causou turbulência nos mercados financeiros. O iene apresentou forte volatilidade, e analistas previram quedas nos índices acionários, refletindo a preocupação com a instabilidade de um governo que nasceu fragilizado e com dificuldades para aprovar seu programa.
Agora, em 2026, o partido Komeito se vê em um território desconhecido, pela primeira vez em mais de duas décadas fora dos corredores do poder executivo. Especialistas apontam que o partido, de base budista e com uma significativa organização de base, terá que se reinventar como uma força de oposição ou buscar novas formas de influenciar a política nacional, longe da aliança que por anos amplificou seu peso no cenário político japonês.
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