Coreia do Norte realiza teste de mísseis hipersônicos em meio a tensões geopolíticas
Kim Jong Un supervisiona exercício militar e fala em preparação para guerra, em resposta indireta à intervenção dos EUA na Venezuela
O líder norte-coreano, Kim Jong Un, supervisionou pessoalmente um exercício de lançamento de mísseis hipersônicos “de ponta” no domingo, 4 de janeiro, e vinculou a manobra a uma “recente crise geopolítica”. A declaração é uma referência clara à intervenção militar dos Estados Unidos que depôs o presidente venezuelano Nicolás Maduro no fim de semana, segundo análise de meios de comunicação internacionais.
A agência estatal de notícias KCNA divulgou na segunda-feira que o teste demonstrou “a prontidão das forças nucleares da Coreia do Norte”. Kim Jong Un foi citado afirmando que “conquistas importantes foram recentemente feitas para colocar nossas forças nucleares em uma base prática e prepará-las para uma guerra real”. O líder também enfatizou a necessidade de “atualizar continuamente os meios militares, especialmente os sistemas de armas ofensivas”, descrevendo a mobilização constante desses meios como um modo importante e eficaz de exercer a dissuasão de guerra.
As forças militares da Coreia do Sul e do Japão detectaram o lançamento de dois projéteis de míssil balístico nas proximidades de Pyongyang. Este foi o primeiro teste de mísseis do país em 2026, realizado poucas horas antes do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, partir para uma cúpula em Pequim. Analistas sugerem que o teste serve como uma mensagem de que Pyongyang possui capacidades de dissuasão de guerra e nucleares, diferenciando-se assim da situação da Venezuela.
Este novo teste ocorre após uma série de desenvolvimentos no programa de armas norte-coreano. Em outubro do ano passado, a Coreia do Norte conduziu um teste de um “novo sistema de armas” descrito como um “veículo hipersônico”, embora naquela ocasião Kim Jong Un não tivesse estado presente. Naquele momento, altos funcionários militares descreveram a ação como parte de um projeto de desenvolvimento de capacidade de defesa nacional para melhorar a sustentabilidade e eficácia da dissuasão estratégica contra “potenciais adversários”.
A Coreia do Norte justificou por décadas seus programas nuclear e de mísseis como um deterrente contra os alegados esforços dos Estados Unidos para provocar uma mudança de regime em Pyongyang. O país condenou veementemente a ação americana na Venezuela no domingo, classificando-a como uma “violação grave da soberania” que “confirma mais uma vez a natureza brutal e arbitrária dos EUA”. Os mísseis hipersônicos, que viajam a mais de cinco vezes a velocidade do som e podem manobrar durante o voo, representam um avanço tecnológico significativo e são considerados mais difíceis de rastrear e interceptar.
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