Cães treinados se tornam membros de equipes médicas para apoiar crianças doentes

Cães se tornam aliados da saúde emocional de crianças em hospitais no Japão

Programa pioneiro usa cães treinados para reduzir ansiedade e dor em procedimentos médicos pediátricos

Em hospitais pediátricos do Japão, um novo tipo de profissional está se tornando parte essencial das equipes médicas: os cães de apoio emocional, conhecidos como facility dogs. Diferente dos cães de terapia que fazem visitas eventuais, esses animais vivem e trabalham em tempo integral nos hospitais, acompanhando crianças durante tratamentos difíceis como quimioterapia, cirurgias e reabilitação.

O programa, que começou no Japão em 2010 no Hospital Infantil de Shizuoka, já se expandiu para quatro hospitais em Tóquio, Kanagawa e Shizuoka, com planos de chegar a mais instituições. Cada cão é treinado por aproximadamente dois anos e trabalha em parceria com um tratador que é um profissional de saúde com pelo menos cinco anos de experiência clínica. Juntos, eles formam uma equipe integrada à unidade médica.

Os cães participam ativamente dos cuidados: fazem companhia durante exames dolorosos, acompanham as crianças até a sala de cirurgia, estimulam a alimentação e medicação, e até mesmo ajudam em sessões de fisioterapia. Em um caso registrado no Centro Nacional de Saúde e Desenvolvimento Infantil, uma criança acamada conseguiu dar seus primeiros passos após passar tempo com o cão Masa. “O tempo com o Masa é quando uma criança pode simplesmente ser criança novamente, livre dos atributos da doença”, afirmou Nobuyuki Yotani, chefe do departamento de cuidados paliativos do hospital.

O impacto emocional é profundo. Crianças que enfrentam tratamentos longos e dolorosos encontram nos cães uma fonte de conforto e normalidade. Um menino de 11 anos lembrou como o cão Masa o distraiu durante exames assustadores ao jogar Jenga com ele, chamando o animal de “herói”. No Centro Médico Infantil de Kanagawa, a adolescente Nene Higano, que ficou paralisada do pescoço para baixo aos 1 ano e 9 meses, desenvolveu um vínculo tão forte com os cães que desenhou uma arte digital durante 15 horas para uma cerimônia de passagem de função entre a cão Annie e sua sucessora Oli.

O maior desafio para expansão do programa são os custos. Introduzir uma equipe de cão e tratador requer cerca de 16 milhões de ienes (aproximadamente 102 mil dólares) em custos iniciais, com despesas anuais de operação girando em torno de 10 milhões de ienes. Como esses serviços não são cobertos pelo sistema de reembolso médico japonês, os hospitais têm recorrido ao crowdfunding para financiar os programas.

Recentemente, uma campanha de financiamento coletivo organizada pela ONG Shine On! Kids arrecadou mais de 33 milhões de ienes, superando a meta de 30 milhões. Esse sucesso permitirá a expansão do programa, com novos cães sendo preparados para ingressar em hospitais. O Centro Médico Pediátrico de Tóquio, que já conta com a cão Ivy desde 2019, se prepara para receber seu segundo cão, Tommy, em 2026, tornando-se a primeira instituição japonesa com duas equipes caninas.

A expansão continua: o Hospital Infantil de Hyogo planeja introduzir seu primeiro cão em 2027, tornando-se a primeira instituição da região de Kansai com o programa, enquanto o Hospital Universitário de Tsukuba também se prepara para uma introdução pioneira no sistema de universidades nacionais. A ONG Shine On! Kids, responsável pelo treinamento, recebeu oito vezes mais consultas de hospitais interessados em 2025 comparado a uma década atrás, indicando um crescimento significativo no interesse.

Para garantir o bem-estar animal, os cães passam por rigorosos exames veterinários regulares e trabalham até aproximadamente os 10 anos de idade, quando iniciam uma transição para a aposentadoria. O programa mantém protocolos rigorosos de controle de infecção que, segundo a organização, nunca resultaram em transmissão de doenças entre cães e pacientes em 15 anos de operação.

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