EUA defendem captura de Maduro como operação policial, não ocupação da Venezuela
Reunião emergencial da ONU expõe divisão internacional após ação militar norte-americana
O embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, defendeu nesta segunda-feira a operação militar que capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro, classificando-a como uma ação de aplicação da lei e negando qualquer intenção de ocupar o país. A declaração foi feita durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, convocada para discutir os ataques americanos na Venezuela e a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Waltz afirmou que a ação foi uma “operação cirúrgica de aplicação da lei” facilitada pelas forças armadas dos EUA para prender um fugitivo da justiça americana. Ele reforçou que os Estados Unidos não reconhecem Maduro como chefe de Estado legítimo, citando as eleições de 2024 que, segundo um painel de especialistas da ONU, não atenderam aos padrões básicos de integridade e transparência. Mais de 50 países, incluindo nações da União Europeia e da América Latina, também não reconhecem a legitimidade do seu governo.
O embaixador americano justificou a operação alegando que Maduro é o líder do Cartel de Los Soles, uma organização terrorista estrangeira, e que seu regime é responsável por inundar os Estados Unidos com drogas ilegais, trazer instabilidade ao hemisfério e reprimir o povo venezuelano. Ele citou o Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 da ONU, que identifica a Venezuela como uma rota-chave de tráfico de cocaína para os EUA e Europa.
No entanto, a ação norte-americana gerou uma onda de críticas no Conselho de Segurança. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou profunda preocupação, afirmando que as regras do direito internacional não foram respeitadas e que o ocorrido estabelece um “precedente perigoso”. Países como França, Dinamarca, Colômbia, Brasil e México rejeitaram o uso unilateral da força, classificando-a como uma violação da Carta da ONU e um risco à soberania e à segurança regional.
O embaixador da Venezuela, Samuel Moncada, condenou a ação como um “ataque armado ilegítimo” e um “sequestro”, acusando os Estados Unidos de agirem por cobiça aos recursos naturais do país. Rússia e China foram alguns dos críticos mais veementes, acusando Washington de “banditismo internacional” e de minar os princípios fundamentais da ordem global.
Enquanto isso, Maduro e sua esposa já compareceram a um tribunal federal em Nova York, onde se declararam inocentes das acusações de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína. Com a captura de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como líder interina da Venezuela, enquanto o futuro político do país permanece incerto e sob a ameaça de maior instabilidade.
Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.






