Autoridades reforçam proteção e pedem que vítimas de ‘trabalhos escuros’ busquem ajuda policial

Polícia do Japão já protegeu 544 pessoas recrutadas para ‘trabalhos escuros’ ilegais

Vítimas, muitas vezes jovens ameaçados com seus dados pessoais, são alvo de esquemas que vão de fraudes a roubos; autoridades garantem segurança a quem denunciar

A Polícia Nacional do Japão (NPA) divulgou que, até o final de novembro do ano passado, forneceu proteção a candidatos de “trabalhos escuros” (yami baito) e seus familiares em um total de 544 casos. As medidas de segurança, que incluem realocação temporária e reforço de patrulhas, foram implementadas após um comunicado da NPA em outubro de 2024, instruindo as delegacias locais a agirem diante dessas consultas.

As autoridades fazem um apelo público: quem se candidatou a empregos ilegais, como participar de roubos ou fraudes, deve procurar a polícia sem hesitação. Os grupos criminosos por trás desses anúncios costumam ameaçar as vítimas usando informações pessoais fornecidas durante o recrutamento. No entanto, a NPA afirma que não há registros de qualquer pessoa que tenha sido prejudicada após ser colocada sob proteção policial.

O perfil das vítimas que buscaram proteção mostra que jovens são os mais visados. Pessoas na faixa dos 20 anos representam 45.2% dos casos, seguidas por adolescentes (24.8%) e pessoas na casa dos 30 anos (13.6%). O recrutamento ocorre principalmente por meio de redes sociais e indicações. “Conhecidos” foram a porta de entrada em 30.7% dos casos, enquanto a plataforma X (antigo Twitter) foi responsável por 23.2% e outros aplicativos de mídia social por 21.9%. Em um caso recente, investigações revelaram que criminosos chegaram a comprar contas de terceiros no X para postar anúncios de “trabalhos escuros” com frases como “pagamento no mesmo dia”.

Entre os crimes mais comuns oferecidos nesses esquemas ilegais estão a compra e venda de contas bancárias e telefones celulares (132 casos), atividades relacionadas a fraudes (124 casos) e roubo (17 casos). Um padrão alarmante aparece nas ofertas para ser “operador de telemarketing” (kakego) em fraudes: na maioria das vezes, os candidatos são instruídos a viajar para o exterior, especialmente para países como o Camboja. Relatos de vítimas ilustram a tática dos criminosos: um candidato sob proteção contou que o trabalho foi inicialmente apresentado como legítimo, mas, após fornecer dados de identificação, foi ameaçado por se recusar a realizar atividades ilegais.

Diante do volume de casos, a polícia tem atuado em duas frentes: protegendo as vítimas que buscam ajuda e combatendo a divulgação desses anúncios. As autoridades estão exigindo que as plataformas de internet removam posts que oferecem “trabalhos escuros” e também usam contas oficiais para alertar o público sobre os riscos. A NPA também produziu e divulgou vídeos educativos sobre o tema como parte de suas medidas preventivas.

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