EUA afirmam que força militar é opção para adquirir Groenlândia, gerando crise na OTAN.

Ambição dos EUA sobre a Groenlândia coloca a aliança ocidental à prova

Declarações sobre uso da força militar contra um aliado da OTAN geram a maior crise da história da aliança e mobilizam a diplomacia europeia.

A Casa Branca afirmou que a utilização das Forças Armadas dos Estados Unidos é uma opção em aberto para adquirir o controle da Groenlândia, um território autônomo do Reino da Dinamarca, aliado fundador da OTAN. A declaração da secretária de imprensa, Karoline Leavitt, de que o “uso militar está sempre à disposição do Comandante-em-Chefe” para essa finalidade, seguiu-se à operação americana na Venezuela e gerou o que analistas descrevem como a pior crise da história da aliança atlântica.

O presidente Donald Trump e seus principais assessores, como Stephen Miller, têm insistido publicamente que os EUA “precisam” da Groenlândia por razões de segurança nacional, alegando uma versão revisitada da Doutrina Monroe para todo o Hemisfério Ocidental. Essa postura foi interpretada em capitais europeias como uma ameaça credível, especialmente após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas.

Em resposta, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi categórica: “Se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da OTAN, então tudo pararia — isso inclui a OTAN e, portanto, a segurança do pós-Segunda Guerra Mundial”. O governo dinamarquês confirmou que regras de engajamento de 1952, que ordenam às tropas reagirem imediatamente a uma invasão sem esperar por ordens superiores, permanecem em vigor.

Um grupo de sete potências europeias, incluindo França, Alemanha, Itália e Reino Unido, emitiu uma declaração conjunta de solidariedade, afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que apenas a Dinamarca e a Groenlândia podem decidir sobre seu futuro. Paralelamente, ministros das relações exteriores da Dinamarca e da Groenlândia solicitaram uma reunião urgente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para buscar uma solução diplomática.

Analistas e ex-diplomatas alertam que uma ação militar americana contra a Groenlândia significaria o fim da OTAN, destruindo os princípios de defesa coletiva e soberania que sustentam a aliança desde 1949. Enquanto o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, tenta manter o assunto fora da mesa da aliança, países europeus como a França trabalham em conjunto em planos de contingência para responder a um eventual movimento dos EUA.

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