Pequim proíbe venda de itens de dupla utilização para uso militar japonês.

China impõe embargo militar ao Japão em resposta a posição sobre Taiwan

Medida restritiva abrange itens de dupla utilização e aprofunda tensão geopolítica entre as potências asiáticas

A China anunciou o controle total sobre as exportações de itens de dupla utilização destinados a usuários militares no Japão, uma medida que entrou em vigor imediatamente nesta terça-feira. A decisão do Ministério do Comércio chinês representa uma escalada significativa nas tensões bilaterais, motivada por declarações recentes da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um possível cenário de conflito no Estreito de Taiwan.

De acordo com o comunicado oficial, a proibição se aplica a todos os itens de dupla utilização — bens, tecnologias ou serviços que podem ter aplicação tanto civil quanto militar — destinados a usuários militares japoneses. A restrição também se estende a qualquer outro usuário final ou propósito que possa contribuir para o aumento das capacidades militares do Japão. O ministério afirmou que organizações ou indivíduos de qualquer país que violem estas disposições, transferindo itens relevantes de origem chinesa para o Japão, serão responsabilizados legalmente.

Um porta-voz do ministério justificou a medida como uma resposta às “declarações errôneas” feitas pela líder japonesa em relação a Taiwan, nas quais ela teria sugerido a possibilidade de intervenção militar. Segundo a China, tais comentários constituem uma “interferência grosseira nos assuntos internos” do país, violando gravemente o princípio de Uma Só China e sendo de “natureza e impacto extremamente sérios”.

Embora a lista completa de itens afetados não tenha sido detalhada no anúncio, os especialistas indicam que o catálogo chinês de bens de dupla utilização abrange mais de mil itens. Entre eles estão elementos de terras-raras, componentes avançados para eletrônica e aeroespaciais, tecnologia nuclear, drones e ligas metálicas especiais. As terras-raras, minerais críticos para a produção de ímãs permanentes, baterias, turbinas eólicas e uma vasta gama de equipamentos de defesa, como drones e mísseis, são consideradas um ponto de especial vulnerabilidade para o Japão, que dependia da China para 63% de suas importações desses materiais em 2024.

Em reação imediata, o governo japonês classificou as restrições como “inaceitáveis e profundamente lamentáveis”, exigindo sua retirada imediata. O secretário-chefe de gabinete, Minoru Kihara, declarou que o governo ainda está avaliando o impacto potencial nas indústrias nacionais, uma vez que muitos aspectos do anúncio chinês permanecem pouco claros. Esta não é a primeira vez que a China usa o controle de exportações de terras-raras como instrumento de pressão contra o Japão; um embargo semelhante foi imposto em 2010 após um incidente diplomático envolvendo embarcações próximas às ilhas Senkaku/Diaoyu.

O anúncio das restrições comerciais ocorre em um contexto de crescente atividade militar chinesa na região. O Exército de Libertação Popular (ELP) iniciou seu ciclo anual de treinamento para 2026 com exercícios conjuntos em larga escala, envolvendo caças furtivos J-20, mísseis hipersônicos DF-17 e sistemas avançados não tripulados, em um claro sinal de foco na prontidão de combate. A medida comercial contra o Japão, portanto, parece integrar uma estratégia mais ampla de Pequim que combina sinalizações militares e ferramentas econômicas para defender suas posições estratégicas, especialmente em relação a Taiwan.

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