Fraude em dados sísmicos paralisa revisão de usina nuclear no Japão
Operadora Chubu Electric admite falsificação que subestimou risco de terremoto na usina de Hamaoka
A Autoridade Reguladora Nuclear (NRA) do Japão determinou que a revisão de segurança da Usina Nuclear de Hamaoka, na província de Shizuoka, precisa ser refeita completamente do zero. A decisão, anunciada em 7 de janeiro, veio após a operadora Chubu Electric Power admitir que falsificou dados sobre a resistência da usina a terremotos. O presidente da NRA, Shinsuke Yamanaka, classificou o ato como “uma afronta aos regulamentos de segurança” e “extremamente grave”.
Durante uma reunião ordinária, a NRA concluiu que a Chubu Electric manipulou arbitrariamente as informações sobre o “movimento sísmico padrão”, que representa o tremor máximo que uma instalação deve ser projetada para suportar. A empresa selecionou dados favoráveis entre diferentes modelos para calcular um impacto sísmico menor do que o real, com o objetivo declarado de facilitar a aprovação regulatória para a retomada das operações dos reatores 3 e 4. Um comissário da NRA comparou a conduta a uma “falsificação ou fabricação” em pesquisa científica, afirmando que “abala a premissa fundamental da revisão”.
A usina de Hamaoka está localizada dentro da área do suposto epicentro de um grande terremoto no Fosso de Nankai, o que demanda padrões de resistência sísmica especialmente rigorosos. Todos os seus reatores estão parados desde 2011, por solicitação do governo central após o desastre de Fukushima. A Chubu Electric solicitou as revisões de segurança para os reatores 3 e 4 em 2014 e 2015, e a NRA havia considerado seus padrões “geralmente apropriados” em 2023. A fraude foi inicialmente denunciada por um informante externo em fevereiro do ano passado através de um canal de denúncias protegido por lei.
Líderes locais reagiram com indignação. O governador de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, afirmou que o evento “causa uma perda de confiança”. O prefeito de Omaezaki, cidade-sede da usina, Masaru Shimomura, declarou que será difícil reiniciar a planta sem a confiança da região, recusando-se até a aceitar a visita de ano-novo da empresa. Autoridades de outras cidades dentro da zona de evacuação de emergência de 31 quilômetros chamaram a ação de “uma grande traição”.
A NRA suspendeu a revisão de segurança e, em sua próxima reunião em 14 de janeiro, deve decidir sobre a realização de uma inspeção regulatória compulsória na sede da Chubu Electric e na usina de Hamaoka, que prevê penalidades por falta de cooperação. O caso representa um sério revés para a política energética japonesa, que busca retomar reatores nucleares sob regras de segurança mais rígidas pós-Fukushima para garantir suprimento elétrico e reduzir emissões.
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