Marinera, navio da ‘frota sombra’, foi interceptado no Atlântico após semanas de perseguição.

EUA apreendem petroleiro russo em alto-mar em ação de alto risco

Navio da ‘frota sombra’ foi interceptado no Atlântico Norte após semanas de perseguição e mudança de bandeira; Rússia protesta.

Em uma operação que elevou as tensões geopolíticas, os Estados Unidos apreenderam, na quarta-feira, dois petroleiros vinculados à Venezuela, incluindo um que navegava sob a bandeira da Rússia. A ação mais ousada foi contra o navio Marinera, no Atlântico Norte, que havia mudado seu nome e bandeira para tentar escapar de uma perseguição que durou semanas.

O Marinera, anteriormente conhecido como Bella-1, é um petroleiro de 300 metros de comprimento e faz parte da chamada “frota sombra” ou “frota fantasma”, usada por nações sob sanções como Rússia, Irã e Venezuela para transportar petróleo ilegalmente. O navio estava vazio de carga, mas seu alto valor estratégico gerou especulações sobre o transporte de armas ou seu papel como um troféu simbólico no embate entre Washington e Moscou.

A operação foi meticulosamente coordenada. Após uma tentativa frustrada de abordagem no Caribe em dezembro, o navio rumou para o norte, teve seu casco pintado com uma bandeira russa e recebeu registro temporário do país no dia 24 de dezembro. A Rússia chegou a enviar um submarino e outros navios de guerra para escoltá-lo, mas não impediu a ação americana. Membros da Guarda Costeira dos EUA, com suporte de forças especiais, finalmente tomaram o controle da embarcação entre o Reino Unido e a Islândia.

O governo russo protestou veementemente, afirmando que a apreensão viola o direito internacional marítimo. O Ministério dos Transportes russo declarou que “nenhum estado tem o direito de usar a força contra navios devidamente registrados” sob jurisdição de outros países. Apesar do protesto, analistas afirmam que o Kremlin pode ter subestimado a disposição do presidente americano Donald Trump em desafiar a Rússia abertamente.

Paralelamente, um segundo petroleiro, o Sophia, foi apreendido no Mar do Caribe. O navio, carregado com cerca de 2 milhões de barris de petróleo venezuelano, foi considerado “sem bandeira” e também está sendo conduzido para os Estados Unidos. Estas ações fazem parte de uma campanha militar mais ampla iniciada há um mês, que incluiu a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no último fim de semana.

Especialistas em direito marítimo observam que a rebandeiração de navios como o Marinera transformou um caso de sanções em um desafio jurisdicional de alto risco. A bandeira russa elevou significativamente as apostas diplomáticas do confronto. A Casa Branca, no entanto, deixou claro que não recuará, classificando o navio como parte de uma frota que financia conflitos e terrorismo.

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