EUA iniciam retirada histórica de 66 organizações internacionais
Ordem executiva de Donald Trump atinge 31 entidades da ONU e 35 outros órgãos multilaterais, com justificativa de proteger soberania e interesses nacionais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva determinando a retirada do país de 66 organizações internacionais, em uma das maiores medidas de afastamento do multilateralismo na história moderna. A decisão, formalizada na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, atinge 31 entidades das Nações Unidas e 35 organizações não vinculadas à ONU.
Entre os órgãos mais destacados da lista estão a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), tratado fundamental ratificado em 1992 que serve de base para o Acordo de Paris; o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal autoridade científica global sobre o tema; a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero (ONU Mulheres); e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). A ordem presidencial instrui todos os departamentos e agências do governo a cessarem imediatamente a participação e o financiamento americano a essas organizações.
O governo Trump justificou a medida alegando que as entidades listadas “operam contrariamente aos interesses nacionais, à segurança, à prosperidade econômica ou à soberania dos Estados Unidos”. Em comunicado, o secretário de Estado, Marco Rubio, classificou algumas das instituições como “anti-americanas, inúteis ou desperdiçadoras de recursos” e afirmou que a revisão de outras organizações ainda está em andamento. A Casa Branca emitiu um comunicado declarando que a retirada “restaurará a soberania americana” e redirecionará recursos de “agendas globalistas” para prioridades internas.
Especialistas e críticos da administração reagiram com preocupação à amplitude da decisão. Representante democrata Gregory Meeks, membro do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, emitiu uma declaração afirmando que a retirada “prejudica a segurança nacional e a prosperidade dos EUA” e “cede nossa influência a competidores estrangeiros”. Analistas de política internacional alertam que o vácuo de influência deixado pelos Estados Unidos pode ser preenchido por outras potências, como a China, que passaria a dominar processos e sistemas da ONU.
A saída do UNFCCC é particularmente simbólica, pois torna os Estados Unidos o único país no mundo fora do tratado climático global mais amplamente ratificado. Esta é a mais recente de uma série de medidas do governo Trump para se distanciar de esforços climáticos multilaterais, após a retirada do Acordo de Paris e a ausência em negociações climáticas da ONU no ano passado. Organizações ambientais classificaram a decisão como “um novo baixo” e “um erro estratégico que entrega a vantagem americana sem nada em troca”.
Embora a ordem seja ampla, ela não representa uma retirada completa das Nações Unidas. Os Estados Unidos continuarão participando do Conselho de Segurança da ONU e serão doadores de agências importantes como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Mundial de Alimentos. A administração Trump tem enfatizado acordos bilaterais como estratégia preferida para lidar com questões como contraterrorismo, energia e saúde, em vez de fóruns multilaterais.
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