Primeira-ministra japonesa avalia dissolver parlamento para consolidar poder

Alta popularidade impulsiona especulações sobre eleição antecipada no Japão

Primeira-ministra Sanae Takaichi avalia dissolver a Câmara Baixa para buscar maioria mais sólida no Parlamento

Especulações sobre o momento ideal para uma dissolução da Câmara Baixa e a convocação de uma eleição antecipada ressurgiram no Japão, enquanto o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi inicia o novo ano com altos índices de aprovação e uma base parlamentar ligeiramente mais estável. Após recuperar uma maioria mínima na Câmara Baixa em novembro, o governo do Partido Liberal Democrático (PLD) garantiu um acordo com o partido de oposição Democrático para o Povo, assegurando a aprovação de um orçamento monumental para o ano fiscal de 2026. Neste cenário, analistas políticos consideram que a passagem do orçamento no final de março pode ser vista como um momento oportuno para o PLD convocar uma eleição surpresa, caso os índices de popularidade se mantenham elevados.

Fontes políticas indicam que a primeira-ministra Takaichi começou a avaliar a dissolução da Câmara Baixa como uma forma de obter um mandato popular direto e estabilizar sua base de poder. Ela teria sondado líderes do seu partido ainda em novembro, perguntando qual seria a reação a uma dissolução no início do ano. Enquanto alguns veem a alta popularidade pessoal da premiê como uma oportunidade clara, outros dentro do PLD são mais cautelosos, argumentando que a popularidade do partido em si não cresceu na mesma medida e que uma decisão apressada poderia ser criticada pelo eleitorado.

O timing da possível eleição é amplamente debatido. Especialistas e veículos de mídia projetam diferentes cenários, sendo a primavera e o início do verão de 2026 os períodos mais citados. Uma análise proeminente aponta que o final da sessão ordinária do Parlamento, em junho de 2026, seria o momento de maior probabilidade. Esse timing permitiria que o governo de Takaichi apresentasse realizações concretas, como a aprovação do orçamento e de projetos de lei importantes, antes de pedir um novo mandato ao eleitorado, em uma estratégia considerada a forma clássica e segura de proceder.

A possibilidade de dissolução já mobiliza os outros partidos. Líderes da oposição e até mesmo de partidos que já colaboraram com o governo emitiram declarações preparando suas bases para um pleito, com um deles afirmando que uma eleição é um “campo de batalha permanente” e ordenando a total preparação de seus membros. Críticos da oposição questionam a coerência de uma dissolução precoce, argumentando que o governo insistiu tanto na aprovação do orçamento dentro do ano fiscal que um pleito imediato depois pareceria uma contradição.

O movimento de Takaichi ocorre em um contexto parlamentar delicado. Apesar da maioria mínima na Câmara Baixa, o governo não detém a maioria na Câmara Alta, o que torna a execução de políticas mais ousadas um desafio. Conquistar uma maioria mais confortável na Câmara Baixa através de uma eleição daria à premiê maior liberdade para avançar sua agenda, que inclui políticas fiscais expansionistas e o fortalecimento das capacidades de inteligência nacional. Além disso, uma vitória eleitoral reforçaria sua posição para lidar com questões diplomáticas complexas, como as relações com a China.

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