Expectativa versus realidade: a primeira música na TV e os royalties que demoram a chegar
Músico Seiji Nakazawa viveu montanha-russa de emoções com a execução de sua obra em programa nacional
Para qualquer artista, ouvir sua composição tocando em um programa de televisão nacional durante o horário nobre é um marco significativo. Foi essa conquista que o músico e escritor Seiji Nakazawa celebrou em julho, quando uma canção com sua letra foi usada como fundo musical no popular talk show “Matsuko no Shiranai Sekai”, da TBS. A euforia inicial, no entanto, deu lugar a uma surpresa ao receber o repasse de direitos autorais referente ao período.
Ao abrir o envelope da JASRAC (Sociedade Japonesa de Direitos de Autores, Compositores e Editores), Seiji esperava ver refletido o uso televisivo. Em vez disso, a declaração de pagamento, que cobria os meses de julho a setembro, mostrava um total de 3.639 ienes (cerca de 23 dólares), valor que ele considerou menor que repasses anteriores, oriundos de streaming online e apresentações ao vivo. A lista detalhada de itens não mencionava nenhuma categoria relacionada a “transmissão” ou “TV”, deixando-o confuso sobre o destino dos royalties pela aparição na televisão.
O mistério é resolvido: um sistema de pagamento em etapas
Intrigado, Seiji entrou em contato com a JASRAC para esclarecimentos. A explicação revelou não um erro, mas o funcionamento padrão do sistema de distribuição. Um representante da entidade explicou que, no caso do uso de músicas na televisão, o valor é calculado e distribuído com um atraso de seis meses. Portanto, a execução ocorrida em julho só será contabilizada na declaração de pagamento enviada em março do ano seguinte.
A JASRAC possui contratos abrangentes com as emissoras de TV. O valor pago aos artistas é determinado por uma fórmula que considera fatores como a emissora (seu faturamento anual define uma escala), a duração do uso da música em segundos e a forma de utilização (como trilha principal, de abertura ou de fundo). Curiosamente, o horário de exibição, mesmo sendo no horário nobre, não influencia diretamente o cálculo final. O sistema opera com uma pontuação onde, de forma geral, um ponto equivale a um segundo de uso.
Apesar da descoberta ter acalmado a ansiedade sobre uma possível falha, a experiência serviu como uma lição prática sobre os meandros dos direitos autorais para um músico em ascensão. Seiji, que já recebeu royalties por apresentações de idols com suas músicas e por uso online, agora aguarda pacientemente a próxima declaração para ver o retorno financeiro do seu momento na TV. A jornada reforça que, no mundo da música, conquistas artísticas e processos administrativos nem sempre caminham no mesmo ritmo.
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