Gastos domésticos no Japão têm maior alta em meio ano, impulsionados por alimentos
Consumo das famílias reage e sobe 2,9% em novembro, revertendo queda e superando expectativas do mercado
Os gastos das famílias japonesas registraram um aumento real de 2,9% em novembro de 2025 na comparação anual, marcando a primeira alta após dois meses consecutivos de queda e o crescimento mais acentuado desde maio. Os dados, divulgados pelo Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações, surpreenderam analistas que esperavam uma retração e foram impulsionados principalmente por um aumento nos desembolsos com alimentação, mesmo diante de preços elevados.
As famílias com dois ou mais membros gastaram em média 314.242 ienes (cerca de 2.000 dólares) no mês. O crescimento foi puxado por uma recuperação nos gastos com comida, que subiram 0,9% – interrompendo uma sequência de seis meses de declínio. A demanda por alimentos preparados e refeições fora de casa foi um fator-chave para essa reversão. Além disso, as despesas com transporte e comunicação dispararam 20,4%, um forte contraste com a queda do mês anterior, sustentadas por compras de veículos novos e seminovos.
Este cenário de consumo mais aquecido contrasta com o persistente ambiente de preços altos. A inflação básica do país, que exclui alimentos frescos, permaneceu em 3,0% em novembro, mantendo-se bem acima da meta de 2% estabelecida pelo Banco do Japão. Os preços dos alimentos, embora tenham desacelerado, ainda registraram uma alta significativa de 6,1% no mesmo período, com itens básicos como o arroz subindo 37,1% em relação ao ano anterior.
Outras categorias de gastos também contribuíram para o resultado positivo. Houve aumentos expressivos em móveis e artigos domésticos (10,6%), vestuário e calçados (7,5%), e cultura e recreação (2,2%). Por outro lado, despesas com utilidades domésticas, como água e energia, caíram 1,2%, refletindo em parte subsídios fornecidos por alguns governos locais.
Embora o consumo tenha mostrado resiliência, a renda real das famílias permanece sob pressão. A renda mensal média das famílias de assalariados, ajustada pela inflação, recuou 2,2% em novembro. Essa divergência entre gastos em alta e poder de compra em queda apresenta um quadro complexo para os formuladores de políticas, que buscam equilibrar o controle da inflação com o apoio à recuperação econômica.
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