Koizumi busca aliviar carga militar em Okinawa enquanto fortalece defesa fronteiriça
Em primeira visita oficial, ministro da Defesa se reúne com governador local em meio a tensões regionais e preocupações com atividades militares chinesas
O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, realizou sua primeira visita oficial a Okinawa desde que assumiu o cargo, com o objetivo declarado de reduzir o fardo que a prefeitura carrega ao hospedar a maior parte das bases militares dos Estados Unidos no país, enquanto simultaneamente fortalece as defesas da estratégica cadeia de ilhas Nansei, no sudoeste do arquipélago. A visita ocorre em um momento de crescente atividade militar chinesa na região, que o próprio governo japonês classificou como o “maior desafio estratégico” à sua segurança.
Durante um encontro de trinta minutos com o governador de Okinawa, Denny Tamaki, na sede do governo prefectural em Naha, Koizumi descreveu sua estratégia como um “esforço de duas rodas”, no qual o alívio da carga sobre os cidadãos e o fortalecimento da segurança nacional devem avançar juntos. No entanto, o governador Tamaki expressou profunda preocupação com o que considera um aumento desmedido da presença militar, alertando que reforçar as Forças de Autodefesa sem reduzir a escala das bases estadunidenses só eleva o risco de incidentes.
Um ponto central de discordância foi o polêmico projeto de realocação da Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, de Futenma, da movimentada cidade de Ginowan para a área costeira de Henoko, em Nago. Koizumi afirmou que a construção “avançará de forma tangível”, enquanto o governador Tamaki reiterou seu apelo para que o governo central abandone completamente o plano de realocação, argumentando que ele perpetua a desigualdade na distribuição da carga militar. Okinawa, que representa menos de um por cento do território japonês, abriga a grande maioria das instalações militares dos EUA no país.
O governador também se opôs formalmente ao possível desdobramento em Okinawa de capacidades militares de contra-ataque, expressando receios sobre a atualização dos documentos de segurança nacional pelo governo central. Em contrapartida, Koizumi defendeu a importância da missão das forças destacadas na região, visitando a Base Aérea de Naha e se reunindo com pilotos que participaram de respostas a manobras de aeronaves chinesas.
A tensão geopolítica paira sobre o diálogo. A cadeia de ilhas Nansei, que se estende até perto de Taiwan, é de importância estratégica vital. Relatórios anuais de defesa do Japão destacam que a presença de navios de guerra chineses no Pacífico triplicou nos últimos três anos, com atividades cada vez mais frequentes perto das ilhas japonesas, incluindo o envio de porta-aviões e a realização de patrulhas conjuntas com a Rússia. A Força Aérea de Autodefesa do Sudoeste, com base em Naha, realizou aproximadamente 400 interceptações de aeronaves estrangeiras apenas no ano fiscal de 2023, respondendo por 60% do total nacional.
A visita de Koizumi a Okinawa precede sua viagem oficial aos Estados Unidos, onde se reunirá com seu homólogo, o secretário de Defesa Pete Hegseth, para coordenar a aliança em meio a um cenário de segurança regional complexo.
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