Vendas de carros elétricos no Japão têm leve alta em 2025, mas adoção segue entre as mais lentas do mundo
Dados da indústria automotiva mostram recuperação modesta após dois anos de queda, com infraestrutura de recarga e oferta de modelos como principais obstáculos
As vendas de veículos elétricos no Japão registraram um tímido crescimento de 1.6% em 2025, alcançando 60.677 unidades, de acordo com dados divulgados pela indústria. Este é o primeiro aumento em dois anos, mas especialistas apontam que o ritmo ainda reflete a falta de vigor no setor, atribuída principalmente à insuficiente rede de estações de carregamento e à limitada variedade de modelos disponíveis para os consumidores japoneses.
Em um contexto global de acelerada transição para a mobilidade elétrica, o Japão apresenta um dos menores índices de adoção entre grandes economias. Dados consolidados de consultorias do setor indicam que os veículos plug-in (elétricos puros e híbridos plug-in) representaram apenas cerca de 3.5% do mercado japonês em 2025. Este percentual coloca o país atrás não apenas de potências como China e nações europeias, mas também de mercados emergentes como o Brasil, que fechou o ano com aproximadamente 9.1% de participação plug-in.
O panorama geral do mercado automotivo japonês em 2025 foi de recuperação moderada, com as vendas totais de novos veículos crescendo 3.3%, para 4.56 milhões de unidades. Este crescimento foi puxado em grande parte pelas marcas nacionais, com a Toyota mantendo sua liderança sólida. No entanto, o desempenho do segmento de veículos elétricos permanece como um ponto de atenção dentro dessa recuperação mais ampla.
Um dos desenvolvimentos mais aguardados para impulsionar a oferta é a chegada de novos modelos adaptados ao gosto local. A montadora chinesa BYD, líder global em eletrificação, prepara o lançamento no Japão do BYD Racco, seu primeiro “kei car” elétrico. Desenvolvido sob medida para as rigorosas normas de dimensões dessa categoria popular no país, o modelo compacto tem autonomia de cerca de 180 km e preço inicial projetado em 2.6 milhões de ienes. A iniciativa da BYD, que inclui a expansão de sua rede de concessionárias, é vista como um teste ao domínio das fabricantes japonesas em seu próprio território e um potencial catalisador para mais inovações no segmento de carros urbanos elétricos.
Analistas acreditam que para 2026 o cenário pode começar a mudar, com a pressão competitiva de novas entrantes e o possível lançamento de modelos elétricos por montadoras japonesas tradicionais, como a Honda, que anunciou uma versão elétrica do popular N-Box para 2027. No entanto, o avanço sustentado continuará dependendo de investimentos paralelos na infraestrutura de carregamento, considerada um dos principais entraves para a confiança do consumidor japonês no veículo elétrico.
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