Tensão aumenta entre Pequim e Tóquio por discussão nuclear e relatório acusatório

China intensifica críticas a supostas ambições nucleares do Japão

Pequim acusa Tóquio de promover remilitarização e ameaçar paz mundial; tensões bilaterais atingem novo pico

A China ampliou seus ataques verbais contra o Japão, acusando o governo do primeiro-ministro Sanae Takaichi de buscar a aquisição de armas nucleares e promover a remilitarização do país. As críticas surgem em meio a um relatório de 29 páginas divulgado por dois dos principais think tanks chineses, que classificam as ações de “forças de direita” no Japão como uma “séria ameaça” à paz mundial.

O documento, intitulado “Ambições Nucleares das Forças de Direita do Japão: Uma Ameaça Grave à Paz Mundial”, foi publicado pela Associação Chinesa de Controle de Armamentos e Desarmamento e pelo Instituto de Estratégia de Planejamento da Indústria Nuclear da China. O texto alega que o Japão “nunca foi capaz de eliminar totalmente o flagelo do militarismo” e adverte que, se as forças de direita desenvolverem armas ofensivas poderosas ou possuírem armas nucleares, “trarão novamente desastre ao mundo”.

Em entrevista coletiva, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, foi mais direta, citando especificamente a primeira-ministra Sanae Takaichi e outros altos funcionários. Ela afirmou que os comentários da líder japonesa sobre Taiwan no início de novembro, nos quais Takaichi não descartou envolver as forças de autodefesa do Japão em um cenário de ataque chinês à ilha, não foram uma coincidência, mas parte de um padrão de declarações “errôneas e perigosas”. Mao Ning também mencionou esforços para revisar os três princípios não nucleares do Japão, discutir a introdução potencial de submarinos de propulsão nuclear e buscar reforçar a “dissuasão estendida”.

As tensões entre os dois países, que são parceiros comerciais cruciais mas têm uma história marcada por conflitos e suspeitas, vêm se agravando rapidamente desde o final do ano passado. A relação azedou significativamente após as declarações de Takaichi sobre Taiwan, que Pequim considerou uma “intromissão grosseira nos assuntos internos da China” e uma “ameaça militar”.

Além da retórica, a China tomou medidas comerciais concretas contra o Japão nesta semana, impondo restrições à exportação de itens de “uso duplo” (civil e militar) e iniciando uma investigação antidumping sobre importações de diclorossilano, um gás crucial para a fabricação de chips de computador. O governo japonês protestou contra essas medidas, considerando-as “absolutamente inaceitáveis”.

O governo japonês, por sua vez, reiterou seu compromisso de longa data com a não proliferação nuclear. O Japão mantém desde 1967 os “Três Princípios Não Nucleares”, que proíbem a posse, a produção e a introdução de armas nucleares em seu território. Analistas observam que a atual escalada retórica ocorre em um contexto de fragilidade da ordem internacional e de agendas políticas domésticas prioritárias em ambos os países, dificultando uma desescalada rápida.

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