Takaichi planeja eleição surpresa em fevereiro para assegurar maioria parlamentar
Premiê busca capitalizar popularidade recorde e estabilizar base de governo frágil
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, está considerando dissolver a Câmara Baixa do parlamento para convocar uma eleição geral antecipada em fevereiro, em uma movimentação estratégica para fortalecer a frágil maioria de sua coalizão governista. De acordo com informações veiculadas pela imprensa japonesa, a chefe de governo avalia oficializar a dissolução no dia 23 de janeiro, data de abertura da sessão ordinária do parlamento, o que tornaria a realização de um pleito entre o início e meados de fevereiro altamente provável.
Dois cronogramas eleitorais estão em análise: um com convocação para o dia 27 de janeiro e votação em 8 de fevereiro, ou outro com convocação em 3 de fevereiro e eleição no dia 15 do mesmo mês. O Ministério da Administração Interna já solicitou formalmente que os comitês eleitorais em todo o país iniciem os preparativos logísticos para um pleito, indicando a seriedade dos planos.
A motivação central da primeira-ministra é aproveitar o momento político favorável. Takaichi, a primeira mulher a ocupar o cargo de premiê no Japão, desfruta de índices de aprovação excepcionalmente altos, em torno de 70%, desde que assumiu o governo em outubro do ano passado. Seu gabinete tem sido marcado por uma postura firme em política externa, especialmente em relação à China, o que agradou eleitores conservadores, mas também desencadeou a maior disputa diplomática entre os dois países em mais de uma década.
A coalizão governista, formada pelo Partido Liberal Democrático (PLD) de Takaichi e pelo Partido da Inovação do Japão, possui uma maioria por uma margem extremamente estreita na Câmara Baixa. Conseguir uma vitória eleitoral que garanta uma base parlamentar mais sólida é visto como crucial para que a premiê possa implementar sua agenda de reformas internas e projetos de gastos fiscais mais proativos, além de fortalecer capacidades de inteligência do país.
A possível dissolução do parlamento já gera reações entre os partidos. Enquanto líderes da coalizão governista se mostram preparados e dispostos a apoiar a decisão da premiê, partidos da oposição expressaram surpresa com o timing. Alguns criticam a priorização de uma campanha eleitoral em detrimento da discussão urgente do orçamento nacional e de medidas para conter a alta de preços, temas que prometem ser os principais pontos de debate na campanha.
O cenário político se desenrola em um contexto de tensões internacionais. As relações com a China se deterioraram significativamente após declarações de Takaichi sobre Taiwan, levando Pequim a impor restrições a viagens e exportações para o Japão. Uma base parlamentar mais forte poderia dar à premiê maior margem de manobra para lidar com esse impasse diplomático.
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