Manifestantes em Tóquio classificam eleições em Myanmar como ‘farsa’

Protesto em Tóquio rejeita eleições em Myanmar e pede libertação de Suu Kyi

Manifestação na embaixada ocorre enquanto junta militar conduz primeiro pleito desde o golpe de 2021

Cidadãos de Myanmar residentes no Japão realizaram um protesto em frente à embaixada de seu país em Tóquio, no último dia 28 de dezembro, para repudiar as eleições gerais que estão sendo conduzidas pela junta militar no poder. Cerca de 120 participantes, a maioria da comunidade birmanesa no Japão, carregavam cartazes com o retrato da ex-líder Aung San Suu Kyi e entoavam palavras de ordem contra o que chamaram de uma eleição “de fachada”.

Os manifestantes fizeram um apelo direto ao governo japonês para que não reconheça os resultados do processo eleitoral, considerado ilegítimo pela comunidade internacional. Eles também exigiram a libertação imediata de Suu Kyi, detida pelos militares desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021, e que atualmente cumpre uma pena de 27 anos de prisão sob acusações amplamente vistas como politicamente motivadas.

As eleições, as primeiras desde a tomada de poder pelos militares, estão sendo realizadas em um contexto de guerra civil devastadora. O pleito ocorre em fases, com votações agendadas também para 11 e 25 de janeiro, mas não será realizado em vastas áreas do país controladas por grupos rebeldes étnicos e forças de resistência pró-democracia. Analistas internacionais e grupos de direitos humanos classificam o processo como uma “farsa” e um exercício cínico para perpetuar o poder militar.

Uma pesquisa realizada por um grupo de voluntários com aproximadamente 15 mil residentes de Myanmar no Japão reflete a ampla rejeição: 99% dos respondentes consideram as eleições ilegítimas e afirmam que não aceitarão seus resultados. Durante o protesto, uma participante de 31 anos relatou que as pessoas em Myanmar estão sendo ameaçadas pelos militares para que votem, e que o processo não reflete uma situação legítima.

O governo militar, liderado pelo general Min Aung Hlaing, defende as eleições como um retorno à democracia e um caminho para a reconciliação nacional. No entanto, a comunidade internacional, incluindo a Organização das Nações Unidas, tem sido crítica, destacando a intensificação da repressão, a criminalização da dissidência e a ausência de condições mínimas para um pleito livre e justo.

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