Bunker com avião de bambu revela base kamikaze japonesa esquecida em Taiwan
Estruturas de concreto no condado de Yilan abrigam história e tática de engano da Segunda Guerra Mundial
No tranquilo cenário agrícola às margens do rio no condado de Yilan, em Taiwan, uma estrutura de concreto abriga um segredo histórico da Segunda Guerra Mundial. Conhecido como Bunker de Aeronaves Siyuan, o local possui em seu telhado uma réplica em tamanho real de um caça Mitsubishi A6M Zero, famoso avião de guerra japonês, meticulosamente construída com bambu. Este modelo não era um ornamento, mas uma ferramenta de guerra: um chamariz estratégico para confundir e desviar os ataques aéreos das forças aliadas.
O bunker é um dos pelo menos 20 remanescentes na região, que formam a maior concentração dessas estruturas em Taiwan e estão entre os exemplos mais bem preservados do mundo. Eles faziam parte do complexo do Aeródromo de Yilan (também chamado de Aeródromo Giran), construído pelo Exército Japonês a partir de 1936. Originalmente, o campo de aviação era composto por três pistas, sendo uma delas considerada “secreta”. Com a virada da guerra no Pacífico, o local foi requisitado para uso militar em 1943 e se tornou uma importante base de operações para os temidos pilotos kamikaze.
De acordo com relatos históricos, mais de 2.500 pilotos decolaram do aeródromo em missões suicidas contra a frota aliada. Para proteger suas valiosas aeronaves reais, a defesa japonesa construiu 14 abrigos endurecidos e camuflados. A tática de engano, no entanto, foi além. Estudantes e moradores locais foram recrutados para construir aviões falsos com o bambu abundante da região e posicioná-los em locais estratégicos, como o topo de bunkers, para simular uma frota ativa. A esperança era que os pilotos americanos gastassem bombas e munição nesses alvos falsos.
Apesar do esforço, a estratégia tinha suas falhas. Relatos indicam que os pilotos aliados eventualmente percebiam a diferença, pois os modelos de bambu, quando atingidos, não produziam a fumaça negra característica de uma explosão real de combustível ou de uma aeronave sendo destruída. O aeródromo foi alvo de múltiplos ataques aéreos concentrados entre março e abril de 1945, realizados por esquadrões da Marinha Real Britânica e da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos.
Após a guerra, o local foi abandonado pelas forças japonesas e posteriormente adquirido pelo governo do Kuomintang. As operações militares continuaram até 1973, quando a base foi finalmente desativada. Hoje, o terreno da antiga base aérea abriga um parque científico, uma universidade e uma destilaria. O Bunker Siyuan, preservado como um museu de pequena escala, serve como um lembrete físico de um capítulo complexo da história, onde a ingenuidade humana foi direcionada tanto para a destruição quanto para a ilusão de sobrevivência.
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