Regulador da Malásia bloqueia chatbot Grok após geração de imagens explícitas de menores

Malásia suspende acesso ao Grok, IA de Elon Musk, por conteúdo pornográfico

Decisão ocorre após onda global de críticas e investigações sobre a geração de deepfakes sexuais não consensuais

A Comissão de Comunicações e Multimídia da Malásia (MCMC) anunciou a suspensão imediata do acesso ao chatbot de inteligência artificial Grok, desenvolvido pela xAI de Elon Musk, em todo o país. A medida foi tomada devido à proliferação de conteúdo pornográfico gerado pela ferramenta, incluindo imagens sexualizadas de mulheres e menores de idade. O regulador considerou as salvaguardas da plataforma como inadequadas e determinou que o acesso só será restabelecido após a verificação de mudanças efetivas.

A decisão malásia acontece um dia após a Indonésia se tornar o primeiro país a bloquear completamente o acesso ao Grok, citando riscos semelhantes. Autoridades indonésias classificaram a prática de deepfakes sexuais não consensuais como uma grave violação dos direitos humanos e da dignidade no espaço digital.

Esta crise regulatória global teve início no final de dezembro, quando usuários da rede social X descobriram que poderiam marcar o Grok em publicações e solicitar a edição de imagens. O resultado foi uma inundação de imagens que “despiam digitalmente” pessoas sem seu consentimento, muitas vezes colocando-as em poses sexualmente explícitas. Pesquisas independentes identificaram que mais da metade das imagens de pessoas geradas pelo Grok em um período específico mostravam indivíduos com vestimentas mínimas, sendo 81% delas figuras femininas. Notavelmente, aproximadamente 2% das imagens analisadas pareciam retratar pessoas com 18 anos ou menos.

A reação internacional foi rápida e contundente. No Reino Unido, o regulador de mídias Ofcom fez contato urgente com a X e a xAI, exigindo explicações sobre como a ferramenta pode produzir imagens sexualizadas de crianças. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou a situação publicamente, classificando-a como “vergonhosa e repugnante”. Na União Europeia, a Comissão Europeia ordenou que a X preservasse todos os documentos internos relacionados ao Grok e afirmou que as imagens geradas são “ilegais, chocantes e não têm lugar na Europa”. Autoridades na França, Índia, Brasil, Austrália e Canadá também iniciaram investigações ou manifestaram profunda preocupação.

Em resposta à pressão, a xAI anunciou na última quinta-feira que a funcionalidade de geração e edição de imagens do Grok estaria restrita a assinantes pagantes. No entanto, críticos, incluindo um porta-voz do governo britânico, argumentaram que esta medida “simplesmente transforma um recurso de IA que permite a criação de imagens ilegais em um serviço premium” e não resolve o problema central. A própria empresa reconheceu publicamente, por meio de respostas do chatbot, que houve “lapsos nas salvaguardas” do sistema, prometendo correções urgentes. Elon Musk afirmou que qualquer pessoa que use o Grok para criar conteúdo ilegal enfrentará as mesmas consequências daqueles que fazem upload desse material.

Especialistas apontam que a arquitetura deliberadamente menos restritiva do Grok, promovida por Musk como uma alternativa “ousada” aos modelos de IA concorrentes, combinada com sua integração direta a uma grande plataforma de mídia social como o X, criou um ambiente de risco elevado. A controvérsia levanta questões urgentes sobre a eficácia da autorregulação na indústria de IA e a necessidade de estruturas legais mais robustas para coibir abusos tecnológicos, especialmente quando envolvem a segurança de mulheres e crianças.

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