Protestos contra colapso da moeda e inflação se espalham pelo Irã, gerando repressão violenta e blecaute de internet.

Protestos massivos e crise econômica mergulham o Irã em instabilidade

Queda recorde da moeda e inflação galopante desencadeiam maior onda de manifestações desde 2022, enfrentando repressão violenta e corte de comunicações

Uma grave crise econômica, marcada pelo colapso da moeda nacional e pela inflação descontrolada, desencadeou uma onda de protestos em massa no Irã que representa o maior desafio ao regime clerical desde os levantes de 2022. Os protestos, que começaram com comerciantes no Grande Bazar de Teerã no dia 28 de dezembro, rapidamente se espalharam para todas as 31 províncias do país, evoluindo de reclamações econômicas para gritos por mudança política.

O gatilho imediato foi a queda vertiginosa do rial iraniano, que perdeu cerca de 84% de seu valor em um ano e chegou a ser negociado a 1,4 milhão por dólar no mercado paralelo. Essa desvalorização brutal alimentou uma inflação de alimentos que atingiu 72% no último ano, tornando itens básicos como óleo de cozinha, frango e ovos inacessíveis para grande parte da população. A situação foi agravada pelo fim de uma taxa de câmbio subsidiada para importadores, medida que fez os preços dispararem da noite para o dia.

As forças de segurança responderam aos protestos com uma repressão violenta. De acordo com organizações internacionais de direitos humanos, centenas de manifestantes foram mortos e milhares foram presos. Um dos episódios mais graves, conhecido como ‘Sábado Sangrento’, ocorreu na cidade de Malekshahi, onde tiros de forças de segurança contra manifestantes resultaram em várias mortes. Em uma tentativa de sufocar a disseminação de informações e a coordenação dos protestos, o governo impôs um blecaute quase total da internet, isolando o país do mundo exterior.

Apesar da repressão, os protestos continuaram a se expandir, ganhando apoio de estudantes, trabalhadores do setor petrolífero e sindicatos de caminhoneiros. Em várias cidades, manifestantes derrubaram estátuas de figuras do regime, como o ex-comandante da Guarda Revolucionária Qassem Suleimani, e entoaram cantos a favor do príncipe herdeiro exilado Reza Pahlavi. Apesar do tom conciliatório do presidente Masoud Pezeshkian, que prometeu combater a corrupção, o líder supremo Ali Khamenei e o chefe do Judiciário adotaram um discurso de confronto, acusando os manifestantes de serem ‘mercenários’ a serviço de potências estrangeiras.

A crise tem raízes em anos de má gestão econômica, corrupção sistêmica e sanções internacionais, agravadas pela guerra de 12 dias com Israel em junho do ano passado. A comunidade internacional, incluindo líderes dos Estados Unidos e da Europa, condenou a violência e ameaçou impor novas sanções, enquanto o governo iraniano convocou embaixadores ocidentais para protestar contra o que chama de interferência em seus assuntos internos. Analistas apontam que, embora os protestos ainda não ameacem derrubar o regime, eles expõem uma fratura profunda e uma erosão significativa de sua base de apoio.

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