Davos 2026: O desafio do diálogo em um mundo dividido
Encontro anual reúne número recorde de líderes em meio à crise da ordem global baseada em regras
A cidade suíça de Davos recebe, de 19 a 23 de janeiro, a 56ª Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em um momento crucial. Sob o tema “Um Espírito de Diálogo”, o evento acontece enquanto a visão de uma ordem econômica global baseada em regras é testada ao limite, com a esperada presença do presidente dos EUA, Donald Trump, destacando o abismo entre sua agenda e a abordagem consensual tradicional do fórum.
A política de “America First” de Trump, que incluiu tarifas comerciais punitivas, intervenção militar na Venezuela e ameaças de anexar a Groenlândia, simboliza um afastamento da cooperação internacional em clima, saúde e outros desafios globais. Esta postura coloca em xeque a própria razão de ser de um fórum multilateral, levando especialistas a questionarem sua relevância atual.
O encontro de 2026 registra uma participação governamental histórica, com 400 líderes políticos, incluindo cerca de 65 chefes de Estado e de governo de mais de 130 países. A presença de quase 850 dos principais CEOs do mundo e de cerca de 100 líderes de empresas unicórnio e pioneiras em tecnologia confirma o peso do evento, mesmo em meio a críticas de que ele seria um “clube de conversa para ricos”.
Esta edição também marca uma transição na liderança da organização, após o fundador Klaus Schwab, de 87 anos, deixar a presidência em abril. A instituição nomeou Larry Fink, da BlackRock, e André Hoffmann, da Roche, como co-presidentes interinos.
O programa do fórum é estruturado em torno de cinco questões centrais que refletem as ansiedades globais: como cooperar em um mundo mais contestado; como destravar novas fontes de crescimento; como investir melhor nas pessoas; como implementar inovações em escala e de forma responsável; e como construir prosperidade dentro dos limites planetários.
Um dos focos será a governança da inteligência artificial e seus impactos econômicos e sociais, com a presença de grandes nomes da tecnologia. Paralelamente, o Open Forum Davos, aberto ao público, discutirá temas como “Visões de 2050”, explorando o futuro da medicina, da corrida espacial e das regiões montanhosas.
O cenário econômico que serve de pano de fundo para os debates é de resiliência, porém com crescimento fraco. De acordo com o Banco Mundial, a economia global deve crescer apenas 2,6% em 2026, em uma década que deve ser a mais fraca desde os anos 1960. A disparidade é alarmante: enquanto as economias avançadas já superaram os níveis de renda pré-pandemia, uma em cada quatro economias em desenvolvimento ainda é mais pobre do que em 2019.
Neste contexto de fragmentação e desconfiança, a mensagem dos organizadores é clara. “O diálogo não é um luxo em tempos de incerteza; é uma necessidade urgente”, afirmou Børge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial. O sucesso ou fracasso deste “espírito de diálogo” em Davos pode ditar o tom da cooperação internacional nos próximos anos.
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