Líderes se reúnem em Nara e firmam acordos de segurança e resgate histórico.

Japão e Coreia do Sul fortalecem laços com acordos em defesa e busca por restos históricos

Encontro de líderes em Nara marca avanço na cooperação bilateral, abordando desde segurança até questões sensíveis do passado

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, anunciaram nesta terça-feira uma ampliação significativa da cooperação entre os dois países, com foco em segurança econômica, defesa e na contínua busca pelos restos mortais de trabalhadores coreanos forçados durante a Segunda Guerra Mundial. O encontro histórico ocorreu em Nara, cidade que simboliza os profundos laços culturais entre as nações, onde Takaichi destacou ser a primeira vez que recebe um líder estrangeiro na cidade desde que assumiu o cargo, ressaltando a importância do momento.

Os líderes concordaram em acelerar a cooperação estratégica em meio a um ambiente de segurança regional cada vez mais desafiador. Os diálogos cobriram uma ampla gama de tópicos, com ênfase especial no fortalecimento da segurança econômica bilateral. Nesse aspecto, foi decidido que os órgãos competentes de ambos os países avançarão nas discussões para promover uma cooperação mutuamente benéfica, incluindo a colaboração em cadeias de suprimentos. Além disso, para combater fraudes organizadas transfronteiriças – um problema comum –, foi acordado desenvolver um documento para acelerar as respostas conjuntas.

Um dos pontos mais sensíveis e simbolicamente importantes do acordo diz respeito à busca pelos restos mortais de coreanos que foram mobilizados para trabalhos forçados no Japão durante o período de guerra. Recentemente, ossadas recuperadas na mina de Chosei, na província de Yamaguchi, foram confirmadas pela polícia como sendo restos humanos. Acredita-se que o local seja onde cerca de 180 trabalhadores, em sua maioria coreanos, morreram em um acidente em 1942. Durante a cúpula, Takaichi e Lee celebraram os progressos nas discussões entre Japão e Coreia do Sul para realizar testes de DNA nessas ossadas, um passo crucial no processo de identificação.

O contexto histórico desse gesto é profundo. Estima-se que centenas de milhares de coreanos tenham sido mobilizados para trabalhar em minas e fábricas japonesas durante a guerra para suprir a escassez de mão de obra. A busca por esses restos mortais e sua devolução às famílias têm sido uma questão persistente nas relações bilaterais. O avanço nas tratativas sobre os testes de DNA representa um esforço concreto para abordar este legado histórico.

Em relação à segurança regional, os líderes alinharam suas posições sobre a crescente ameaça representada pelo programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte. Eles reafirmaram a necessidade de uma coordenação estreita entre Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos para buscar a desnuclearização completa da península coreana. Takaichi também agradeceu publicamente ao presidente Lee pelo forte apoio à resolução imediata do contencioso dos sequestros de cidadãos japoneses pela Coreia do Norte.

O cenário escolhido para o encontro, Nara, não foi por acaso. A primeira-ministra destacou os profundos laços históricos da região com a Coreia, lembrando que a cidade foi um centro primordial de intercâmbio cultural no passado. Como gesto de cortesia e simbolismo, Takaichi planejou conduzir uma visita ao Templo Horyu-ji, patrimônio mundial que encapsula essa história compartilhada. Os líderes concordaram em dar continuidade à chamada “diplomacia de vaivém”, com visitas recíprocas frequentes, solidificando a melhora observada nas relações desde o ano passado.

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