Gigantes japonesas deixam COI após críticas por corrupção e falta de apoio a atletas

Toyota, Panasonic e Bridgestone encerram era de patrocínio olímpico

Empresas japonesas citam escândalos de corrupção, gestão da pandemia e distanciamento do espírito esportivo como motivos para a saída

O Comitê Olímpico Internacional (COI) enfrenta uma significativa saída de patrocinadores de peso. Toyota, Panasonic e Bridgestone – três das maiores empresas do Japão e patrocinadoras de longa data dos Jogos – confirmaram que não renovarão seus contratos de patrocínio global, conhecido como Programa TOP. A decisão representa um duro golpe financeiro e de imagem para a entidade, marcando o fim de uma era de forte apoio corporativo japonês ao movimento olímpico.

Analistas apontam que a decisão foi motivada por uma combinação de fatores, incluindo os escândalos de corrupção que envolveram os Jogos de Tóquio 2020, a gestão impopular do evento durante a pandemia e uma percepção de que os valores do COI não mais se alinham com os das empresas. A Toyota, em particular, foi vocal ao expressar insatisfação com a forma como os recursos dos patrocinadores são utilizados, argumentando que não há um apoio efetivo aos atletas e à promoção do esporte.

O contrato da Toyota, firmado em 2015 e válido até os Jogos de Paris 2024, foi reportado como o maior acordo individual de patrocínio do COI na época, com um valor estimado em 835 milhões de dólares. Juntas, as 15 empresas do Programa TOP contribuíram com mais de 2 bilhões de dólares para o COI no último ciclo olímpico de quatro anos. A saída das três gigantes japonesas deixa o comitê sem um patrocinador do país e deve redirecionar a busca por novas receitas para mercados como o Oriente Médio e a Índia.

O descontentamento corporativo tem raízes nos Jogos de Tóquio, adiados para 2021. O evento, realizado majoritariamente sem espectadores, frustrou as estratégias de marketing das empresas. Além disso, uma série de escândalos mancharam a imagem dos Jogos, incluindo alegações de suborno no processo de seleção de fornecedores e comentários sexistas de ex-dirigentes do comitê organizador. Essa combinação fez com que as Olimpíadas se tornassem um empreendimento visto como “tóxico” por parte do público e das empresas japonesas.

A Bridgestone, patrocinadora desde 2014, justificou sua saída como uma reavaliação de sua estratégia de marca global. A Panasonic, que apoiava os Jogos desde 1987, também optou por não renovar, encerrando décadas de associação. Especialistas em economia e marketing esportivo veem a movimentação como um sinal claro de que o prestígio olímpico está em xeque no mundo corporativo, especialmente no Japão, onde pesquisas de opinião chegaram a mostrar que a maioria da população e das empresas preferia o cancelamento ou novo adiamento dos Jogos de Tóquio.

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