Camboja promete continuar repressão a centros de fraude após prisão de suposto chefão
Extradição de bilionário para a China marca ponto alto de operação internacional contra esquemas bilionários
A prisão e extradição do suposto chefão de centros de fraude Chen Zhi para a China representa um marco, mas não o ponto final, na batalha do Camboja para erradicar crimes transfronteiriços. A declaração foi dada pelo ministro das Relações Exteriores do país, Prak Sokhonn, que sinalizou a continuidade das operações contra redes criminosas sofisticadas que atuam no Sudeste Asiático.
Chen Zhi, um bilionário nascido na China na casa dos trinta anos, é a figura por trás do conglomerado Prince Group, sediado no Camboja. Embora suas empresas apresentem uma fachada de negócios legítimos, autoridades dos Estados Unidos o indiciaram por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, descrevendo suas operações como uma das maiores fraudes de investimento da história. A extradição seguiu uma investigação conjunta entre Camboja e China, que descobriu irregularidades na forma como Chen obteve sua cidadania cambojana, além da chinesa.
A operação faz parte de um esforço internacional mais amplo e até então fragmentado, visando desmantelar redes de fraude online que estelionatam bilhões de dólares de vítimas em todo o mundo. A pressão coordenada incluiu ações de vários países: Hong Kong, Singapura e Taiwan congelaram centenas de milhões em fundos ligados ao Prince Group, enquanto Reino Unido e Coreia do Sul impuseram sanções ao conglomerado. No ano passado, promotores norte-americanos apreenderam aproximadamente 15 bilhões de dólares em bitcoin vinculados a Chen.
Esses esquemas costumam operar a partir de grandes complexos no Camboja, Mianmar e Laos, onde estima-se que dezenas de milhares de pessoas trabalhem sob condições análogas à escravidão. Muitas são vítimas de tráfico humano, atraídas por promessas de trabalho em tecnologia ou hotelaria e depois forçadas a aplicar golpes online sob ameaça de punição física. O governo cambojano tem cooperado com diversas nações, incluindo Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Vietnã e Tailândia, para combater o problema.
O ministro Sokhonn reiterou o compromisso do Camboja em priorizar a erradicação de crimes facilitados pela tecnologia, por meio de medidas estruturadas e parcerias internacionais. Apesar do Prince Group ter negado publicamente as acusações no passado, argumentando que serviam para justificar apreensões bilionárias, as ações das autoridades cambojanas indicam que encontraram fundamento suficiente para revogar a cidadania local de Chen e proceder com a extradição. A luta contra essas redes adaptáveis e de alto lucro exige vigilância e cooperação contínuas da aplicação da lei global.
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