Oposição japonesa se une em novo partido para desafiar governo Takaichi.

Oposição japonesa se une em novo partido para eleição antecipada

CDP e Komeito formalizam aliança histórica para desafiar o governo conservador da primeira-ministra Takaichi

Em uma movimentação que promete redefinir o cenário político japonês, o principal partido de oposição, o Democrático Constitucional do Japão (CDP), e o Komeito anunciaram a formação de um novo partido centrista. A decisão, tomada em reunião entre os líderes Yoshihiko Noda e Tetsuo Saito, é uma resposta direta às eleições gerais antecipadas que devem ocorrer em fevereiro, após a primeira-ministra Sanae Takaichi dissolver a Câmara dos Representantes.

O acordo, selado sob a bandeira do “centrismo”, representa uma guinada estratégica significativa. O Komeito, que por 26 anos foi parceiro de coalizão do Partido Liberal Democrático (PLD), rompeu com o governo em outubro do ano passado. Agora, ao se aliar ao CDP, busca criar um eixo sólido de oposição capaz de enfrentar a coalizão conservadora liderada pelo PLD e pelo Partido da Inovação do Japão.

Os detalhes operacionais da fusão são precisos: apenas os parlamentares da Câmara Baixa de ambos os partidos ingressarão na nova agremiação. Em uma estratégia eleitoral coordenada, o Komeito não lançará candidatos em distritos uninominais, concentrando-se em apoiar os nomes do CDP nessas disputas. Em contrapartida, os candidatos do Komeito receberão posições de destaque nas listas de representação proporcional. Os parlamentares da Câmara Alta e os políticos locais permanecerão filiados aos partidos originais.

O momento político é de intensa movimentação. A primeira-ministra Takaichi sinalizou sua intenção de dissolver a Câmara dos Representantes logo no início da sessão ordinária do Parlamento, convocada para 23 de janeiro. Isso deve levar a um pleito rápido, com datas como 8 ou 15 de fevereiro sendo consideradas. Diante deste cenário de eleição-relâmpago, a rápida unificação da oposição é vista como uma tentativa crucial de consolidar forças e evitar a fragmentação de votos.

O novo partido surge em um contexto de recomposição do tabuleiro político nacional. A saída do Komeito da coalizão governista, motivada por descontentamento com a resposta do PLD a um escândalo de fundos, já havia abalado a base de apoio de Takaichi. Agora, a perspectiva de que a tradicional máquina eleitoral e a base de fiéis budistas leigos do Komeito sejam mobilizadas contra o governo representa um desafio adicional para o PLD. A formação desta nova força centrista pode, portanto, não apenas alterar o resultado das próximas eleições, mas iniciar um realinhamento duradouro na política japonesa.

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