Uma iniciativa online reuniu cerca de 30 pessoas para ouvir a imigrante japonesa Kazuyo Kodama, de 93 anos, que vive no Brasil desde 1958. O evento, chamado “Haicai da Imigração Online”, foi organizado pelo Grupo de Estudos de Haicai da América Latina e destacou como a poesia japonesa ajuda a preservar a língua e a cultura entre os descendentes.
Kodama nasceu em Kochi e perdeu o pai na Segunda Guerra Mundial. Aos 24 anos, emigrou para o Brasil com a mãe e o tio, chamados por um irmão que já estava aqui. Ela começou a compor haicais aos 56 anos, após criar os filhos, para manter viva a língua japonesa em um ambiente onde o português predominava.
Seus poemas misturam estações japonesas com o cotidiano brasileiro, como no verso que fala de “hashi e tigela até a morte e tofu novo”. Para ela, esses objetos representam a essência de ser japonês. Outro poema lembra a mãe falecida e o fim da guerra, enquanto um terceiro retrata a paixão pelo futebol, mostrando sua integração à sociedade brasileira.
A comunidade de haicai no Brasil enfrenta o envelhecimento dos imigrantes de primeira geração e a redução dos grupos de poesia. Por isso, está sendo organizada uma coletânea com 2 mil haicais, com lançamento previsto para 2028, quando se comemoram 120 anos da imigração japonesa. Uma campanha de financiamento coletivo começa em novembro.
Leia também:
Fonte: Yahoo!ニュース — resumo original em português.
Imagem de destaque: reprodução/Yahoo!ニュース.

One thought on “Imigrantes japoneses no Brasil mantêm a língua e a identidade através do haicai”