Vanguard antecipa turbulência e suspende compra maciça de títulos japoneses
Movimento estratégico ocorreu antes de anúncio de eleição antecipada e proposta de corte de impostos que abalaram o mercado
A Vanguard Asset Management, anteriormente uma das maiores investidoras otimistas em relação à dívida do governo japonês, interrompeu no início deste ano sua constante compra de títulos de longo prazo do país. A gigante global de gestão de ativos se afastou de sua posição antes mesmo que a decisão da primeira-ministra Sanae Takaichi de convocar uma eleição antecipada e defender cortes profundos de impostos causasse tumulto no mercado de dívida japonesa. Essas medidas fiscais impulsionaram os rendimentos dos títulos de longo prazo em quase 30 pontos-base, atingindo níveis recordes.
De acordo com Ales Koutny, chefe de taxas internacionais dos fundos ativos da Vanguard, o cenário se tornou uma ‘tempestade perfeita para os títulos do governo japonês de longo prazo’. Ele acrescentou que ‘há limites para quanto gasto fiscal não financiado um país pode fazer’. A declaração reflete a preocupação com as propostas de estímulo fiscal que podem aumentar a emissão de dívida.
O momento da retirada da Vanguard demonstra uma leitura cuidadosa do cenário de risco. Outros grandes investidores internacionais também se encontram em uma posição delicada. Eles foram atraídos para o mercado de títulos japonês, o terceiro maior do mundo, por rendimentos considerados atrativos, mas agora enfrentam um ambiente volátil. Alguns especialistas do mercado começam a descrever a situação como uma potencial ‘armadilha de valor’, onde ativos aparentemente baratos continuam a se desvalorizar, prendendo os investidores.
O impacto da turbulência nos títulos se estendeu ao mercado acionário. Preocupações com perdas potenciais nos portfólios de títulos detidos por grandes bancos e seguradoras contribuíram para um clima de venda no índice Nikkei 225, que registrou queda pelo quinto dia consecutivo. A tensão fiscal doméstica se soma a um cenário global de cautela, influenciado por tensões geopolíticas e comerciais que também afetam o sentimento dos investidores.
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