Japão reinicia maior usina nuclear do mundo após 13 anos de inatividade
Reator da usina Kashiwazaki-Kariwa, operada pela Tepco, foi religado nesta quarta-feira, marcando virada na política energética do país
A Tokyo Electric Power Company (Tepco) reiniciou, nesta quarta-feira (21), um dos reatores da usina nuclear Kashiwazaki-Kariwa, localizada na província de Niigata. Este é o primeiro reator da empresa a voltar à operação desde o acidente de Fukushima, em 2011, que levou ao desligamento de todas as unidades daquela que é a maior central nuclear do mundo por capacidade.
O religio do reator número 6 aconteceu após as 19h, horário local. O processo foi autorizado pela Autoridade de Regulação Nuclear do Japão no início da tarde. O reinício estava originalmente programado para terça-feira, mas foi adiado em 24 horas após a identificação de um problema em um alarme durante os testes finais. A Tepco informou que corrigiu a falha, que envolvia as configurações do sistema de alarme das hastes de controle, e que todos os procedimentos de segurança foram concluídos.
A usina Kashiwazaki-Kariwa, com seus sete reatores e capacidade total de 8,2 gigawatts, estava completamente paralisada desde 2012. Sua reativação é um pilar central da nova política energética do governo japonês, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, garantir o abastecimento e cumprir as metas de carbono zero. Com este, já são 15 os reatores reiniciados no país, de um total de 33 considerados operáveis.
A decisão, no entanto, ocorre em meio a forte desconfiança pública. Uma petição contra o reinício, assinada por cerca de 40 mil pessoas, foi entregue neste mês às autoridades, destacando os riscos sísmicos na região. Um terremoto em 2007 já havia causado danos e um incêndio no local. Pesquisas com moradores da região mostram que cerca de 60% se opõem ao retorno das operações, citando preocupações com planos de evacuação e a capacidade da Tepco de garantir a segurança.
O presidente da Tepco, Tomoaki Kobayakawa, reconheceu publicamente que a segurança é “um processo contínuo” e que os operadores “nunca devem ser arrogantes ou excessivamente confiantes”. Para a empresa, a reativação é financeiramente vital. Estima-se que a operação dos reatores 6 e 7 de Kashiwazaki-Kariwa possa aumentar os lucros anuais em cerca de 100 bilhões de ienes, recursos que também ajudarão a custear as compensações e o descomissionamento em curso de Fukushima.
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