Governo iraniano afirma ter suprimido protestos, mas número de mortos é contestado

Irã anuncia mais de 3 mil mortes em protestos, mas ativistas contestam números

Movimento que começou por questões econômicas se transformou em contestação ao regime clerical

O governo iraniano afirmou, nesta quarta-feira, ter suprimido com sucesso os protestos antigovernamentais que agitaram o país por semanas. As autoridades divulgaram um balanço oficial de 3.117 pessoas mortas durante os distúrbios, mas grupos de direitos humanos e ativistas locais alertam que o número real de vítimas pode ser muitas vezes maior, devido à violenta repressão que marcou o fim dos protestos.

As manifestações e greves, inicialmente motivadas por dificuldades econômicas, se transformaram em um movimento de massas contra a liderança clerical que governa o Irã desde a Revolução de 1979. A partir de 8 de janeiro, multidões tomaram as ruas em várias cidades em uma série de protestos de grande escala.

No entanto, os protestos parecem ter se dissipado temporariamente diante de uma forte repressão, descrita por ativistas como implacável. A ação das forças de segurança foi facilitada por um apagão generalizado da internet, que isolou regiões do país e dificultou a organização de novas manifestações e a divulgação de informações para o mundo exterior.

O governo organizou um tour para a imprensa internacional em Teerã, onde mostrou os danos no interior de uma mesquita, atribuídos aos confrontos. A medida é vista como uma tentativa de controlar a narrativa sobre os eventos recentes.

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