Juízes mostram ceticismo sobre tentativa de Trump de demitir Lisa Cook do Fed

Suprema Corte dos EUA sinaliza barrar demissão de diretora do Fed por Trump

Juízes demonstram ceticismo durante audiência e preocupação com independência do banco central

A Suprema Corte dos Estados Unidos realizou uma audiência crucial nesta quarta-feira para debater a tentativa do presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook, uma das diretoras do Federal Reserve. Durante quase duas horas de argumentos, a maioria dos juízes, incluindo membros conservadores, demonstrou ceticismo em relação à posição do governo e preocupação com o risco à independência histórica do banco central americano.

O caso gira em torno do anúncio feito por Trump em agosto do ano passado, via rede social, de que demitiria Cook por suposta fraude hipotecária relacionada a documentos assinados antes de ela ingressar no Fed. A diretora nega veementemente as acusações, que nunca resultaram em qualquer processo criminal, e entrou na Justiça para manter seu cargo. A lei que rege o Federal Reserve estabelece que seus diretores, que possuem mandatos de 14 anos, só podem ser removidos pelo presidente por “justa causa”, um termo que nunca foi definido judicialmente.

Durante a sessão, o juiz Brett Kavanaugh, conservador, advertiu que a posição do governo Trump, que defende ampla discricionariedade presidencial, poderia “enfraquecer, se não destruir, a independência do Federal Reserve”. A juíza Amy Coney Barrett questionou por que a administração resistia a realizar uma audiência formal para que Cook pudesse se defender, perguntando: “Por que é que têm medo de uma audiência?”. A juíza Sonia Sotomayor salientou que a manutenção de Cook no cargo não causa prejuízo à instituição e que a independência do Fed é “extremamente importante”.

A audiência foi acompanhada pessoalmente pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em um gesto raro e visto como uma forte demonstração de apoio à colegia e à autonomia institucional. A presença de Powell ganha contornos ainda mais significativos pelo fato de ele próprio ser alvo de uma investigação criminal separada, aberta pelo Departamento de Justiça a pedido do governo Trump. Especialistas e o próprio mercado financeiro veem o caso como um teste crítico. Caso Trump vença, futuros presidentes poderiam ter um precedente para destituir diretores do Fed por desavenças políticas, comprometendo a capacidade do banco central de definir a política monetária livre de interferências.

Embora uma decisão formal deva sair nas próximas semanas ou meses, o entendimento predominante é que a Corte irá permitir que Lisa Cook permaneça no cargo enquanto o processo judicial segue seu curso, possivelmente ordenando novas análises em tribunais inferiores. Tal resultado congelaria, ao menos temporariamente, os esforços do governo Trump para reformar a direção do Fed e exercer maior influência sobre as taxas de juros da maior economia do mundo.

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